quarta-feira, 28 de agosto de 2013

E se?

E se tudo isso que parece tão certo for o errado? Eu não sei mais se amei um dia. Sinto-me vazia quando penso no passado, quando busco a intensidade dele, parece que ela se desfez com os detalhes de cada lembrança que eu não tenho mais. Sinto que devo mais do que já dei, mas faço parecer o contrário. Do que tenho vergonha?

Agradeço a ela por comportar-se como se nada vindo de mim fizesse diferença, isso facilita, isso sempre facilitou as coisas entre nós. Ela sempre dividiu as culpas comigo. Por compaixão ou por capricho, seja pelo que for, obrigada. Eu só sei ser vítima. 

Mas e se um dia eu encarasse a realidade? Eu notaria o estrago que eu fiz na vida dela, eu  não me perdoaria por destruir a sua melhor saída,  a única ilusão em que podia agarrar-se quando tudo parecia uma merda por pura competição, por ego. E se aquela música fosse pra mim? Isso mudaria as coisas entre nós hoje? Eu não acho que seja. Mas se fosse... Eu a odiaria por isso, ela me obrigaria a sair da minha mentira, me mostraria quem foi realmente vítima e me faria chorar. Ela foi a única a quem não consegui enganar e por isso ela volta sempre, por isso eu a veja nos espelhos, nas vitrines, nos vidros de janelas por onde passo. É pra me lembrar de toda uma realidade que não consigo enfrentar.

O seu tudo foi mesmo tudo? Ir embora foi realmente um sacrifício? Essas são as perguntas que ela me faz no espelho pela manhã. E se eu tivesse ido atrás dela? Estaríamos vivendo um comercial de margarina ou talvez fossemos babacas uma com a outra. E se eu tivesse feito alguma coisa? Poderíamos estar nos beijando agora ou gritando e nos ofendendo, perdendo o respeito uma pela outra. E se ela tivesse sido única? Ela poderia ter sido amor da minha vida. Eu quis muito que ela fosse, mas não era ela e ela nunca realmente foi.