terça-feira, 28 de agosto de 2012

WHAT THE FUCK ?


Quando você não quer sentir nada, é justamente quando você sente tudo. Eu não fiz nada da minha vida, tudo o que eu tenho foi me dado. Na verdade eu podia dizer que isso me incomoda, mas eu não sei ao certo se me incomoda mesmo ou se são as pessoas que fazem me incomodar.

Eu sempre achei que eu tivesse medo de viver, mas nos últimos tempos tenho notado mesmo em mim é uma preguiça absurda. Preguiça das pessoas, preguiça das regras, preguiça dos padrões e ultimamente dos “não padrões” também. Preguiça de ter que tomar uma posição quando amanhã tudo muda. Perdida? Depende do ponto de vista, do meu eu estou mais que achada.

Eu gosto de escrever e quase tudo que eu escrevo tem esse tom de conversa informal, às vezes até intima, mas quase sempre muito comum. Quem é que nunca sofreu de amor? Quem é que nunca fez uma merda na vida? Quem é que nunca foi um cretino? Quem é que nunca teve aquela transa gostosa que te da aquela vontade de contar vantagem? Eu sou assim, uma hora exageradamente apaixonada e noutra exageradamente canalha. Podia escrever sobre política, eu podia comentar as atrocidades do mundo, eu podia ironiza Paulo Coelho ( Espera, mas isso eu faço sempre que possível), enfim eu podia escrever sobre muita coisa, mas eu gosto mesmo é de falar de mim. Eu tive uma namorada que dizia isso, mas fazer o que? Cada um com seus problemas e o meu é sem dúvida ser exageradamente egocêntrica. Na verdade eu sou exageradamente muita coisa, mas sempre exageradamente antes de qualquer uma delas.

Gosto também de mulheres, a ruína da minha vida. Gosto de álcool, um sentido e gosto de cigarros, um momento de reflexão. Não sei qual dos três vai me matar primeiro, mas fica entre eles a possível causa da minha futura morte. Agora mesmo estava aqui fumando um cigarro e pensando na minha vida que, embora meio inútil nunca me fez pensar em suicídio, por pura vaidade evidentemente. Pra falar a verdade à primeira vez que pensei em suicídio foi numa aula de filosofia na faculdade, não me entendam mal, sou fascinada pela filosofia, mas Sócrates e Platão de forma didática é de se dar um tiro na cabeça. Eu geralmente começo meus textos com alguma pergunta, mas dessa vez eu acabo com uma: Que porra foi essa que eu escrevi?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A garota do bar.


Aquela garota quando entrava no bar, tirava atenção até mesmo de um alcoólatra da sua cerveja. Comigo não era diferente. Que atire a primeira pedra quem nunca teve o coração dilacerado por ela. Eu já tinha escutado que o efeito era devastador, mas quem disse que eu conseguia tirar meus olhos dos dela?

Eu lhe paguei um drink, ascendi seu cigarro, abri cada porta pela qual ela passava. Falei de Bukowski, Dostoievski, como se ales pudessem impressionar mais que o sorriso dela, a presença delicada, porém forte, que fazia até o mais poderoso Deus do Olimpo sentir-se menos que um mero mortal. Assim ela entrou na minha vida, como na de outros antes de mim, como vai entrar na de outros depois.

Ama-la era uma das melhores e piores coisas que podiam acontecer a alguém. No cotidiano sendo um mero mortal e a noite em sua cama sendo quase um semi-Deus, era isso que ela sabia fazer sentir. Então quando menos se espera, não sobra nada daquele mero mortal e nem um resquício do tal semi-Deus, você só é aquele mesmo cara de antes, aquele sentado no fundo do bar e ela só um sonho bom, bonito e breve.

Uma sensação que nem todos os maços de cigarro do mundo, nem todo álcool, drogas, bocas, corpos, sexo, poderiam apagar. A minha vida não se divide nem em antes, nem depois, ela foi apenas durante. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Maldito seja esse mau humor!


Venho aqui, com muito orgulho e sinceridade, admitir o meu mau humor. Não me entendam mal, não é que eu goste de ser mal humorada, nem é o caso de não gostar, o caso é de necessidade mesmo. Eu preciso reclamar! E como reclamo, desde futilidades como o meu cabelo, até o extremo do filho que ainda não tive.

Isso faz do meu humor negro um grande prazer pra mim, uma alegria pra quem não convive comigo e o inferno astral da minha família. Particularmente acho que reclamar é uma arte, não é pra qualquer um! Quantas pessoas reclamam e ainda conseguem ser amadas por ai? Sim, eu também sou modesta, mas isso é assunto pra outro texto.

Então é isso, acho único e quase inédito esse amor e o cultivo do meu mau humor, a sinceridade em admitir essa “ranhetice” que nasceu comigo e a velhice precoce que fui adquirindo ao longo dos meus vinte e cinco anos, que só aperfeiçoou a intensidade das minhas reclamações diárias. Às vezes eu acho que vou acabar jogando damas com os velhos da praça aqui perto de casa antes dos meus quarenta, o pior é que devo reclamar disso também.

Pensando bem, senti um pouco de tédio com esse texto e todo esse mau humor, as reclamações, vocês sentiram também? Acho que agora eu vou começar a reclamar das minhas reclamações. E lá vou eu de novo... Maldito mau humor!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Estranho seria se eu não me apaixonasse.


Eu amo a imperfeição feminina, eu desejo o que não é moda, vejo a verdadeira beleza mais profundamente do que um simples padrão. Eu gosto de aprofundar conhecimentos, gosto de ler as pessoas, não me contento com capas.

Se as mulheres soubessem a sinceridade contida em cada umas dessas imperfeições e o quão isso interessa, o quão isso é bonito, elas parariam com esse descontentamento do trivial, do pequeno, do irrelevante.

Percebam o que tem além! Notem os detalhes, as reentrâncias. As “lindas” que querem ser mais que somente isso, as “feias” cheias de complexos e insatisfações... Pratiquem a liberdade de conceitos e sejam lindas de qualquer jeito.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A ultima dose


Esse conto é sobre uma amiga que não podia ver uma garota bonita, uma mulher interessante, nem muito menos uma donzela em perigo. Nos conhecemos no mesmo bar que hoje enchemos a cara quase que cotidianamente. Um dia eu estava sentada tomando uma cerveja e ela se aproximou com aquele sorriso sacana, que levado a sério era subestimar a própria inteligência e se dirigiu a mim soltando a cantada mais barata que já ouvi na vida, dei um acesso de riso. No inicio ela ficou me olhando espantada e depois ria junto comigo da própria estupidez, dali em diante nunca mais deixamos de beber. Mas o conto não é bem sobre isso, essa foi só uma pequena introdução, na verdade bem modesta sobre quem é Luiza.

Agora vamos para a parte “ O que se tornou Luiza?”. Eu    nunca conheci alguém com tanta ex namorada, com tanto ex caso, ex amor, ex tudo e a cada semana uma futura ex pra transformar a atual, como num circulo vicioso, ou talvez quase uma cadeia alimentar. Tudo que ela tocava, no mínimo na semana seguinte, se tornava ex alguma coisa. E é claro que todos esses “ex” problemas a perseguiam por onde quer que ela fosse. Como ela resolvia? Transando! É tudo que ela sabe fazer e a julgar pela quantidade de mulheres, deve fazer bem, eu não sei.

O caso é que um dia entrou uma garota no bar, a garota. Ela sentou-se sozinha a mesa, era final de tarde e pediu um café. Abriu um livro, tentei ler o titulo, se não me engano era Dostoievski, pra nossa grande surpresa. Luiza me olhou e já foi caminhando em direção a ela. Fiquei olhando de longe, sem muita curiosidade por já estar cansada de ver aquele mesmo ritual dela. De repente ela voltou, não entendi.

- O que aconteceu?
- Falei com ela e ela simplesmente ignorou a minha presença. Como pode ser isso?
- A julgar por Dostoievski e isso, definitivamente é um garota esperta.
- Pode rir, mas não vai ficar assim! E que tipo de garota linda como ela é, lê Dostoievski? Como se ela precisasse...
- Você é tão babaca Luiza!
- O que? É verdade!

O caso é que aquilo mexeu com ela, Luiza não tirava os olhos daquela garota e não enxergou mais ninguém aquele dia. A garota passou a freqüentar nosso bar, Luiza se exibia sempre que podia, falando sobre cinema e Godard, enquanto fumava cigarrilha e bebia Jack Daniel’s. Mas a garota nunca prestava atenção, pegava as coisas e ia embora, em resposta ao circo que Luiza montava pra chamar sua atenção. Um dia durante uma dessas saídas, Luiza foi atrás dela, elas pararam bem próximas a mim e deu pra ouvir quando a garota disse:

- Por que você não pode ser normal? O dia que parar com o gênero, eu te escuto, ok?

Ela saiu e deixou Luiza lá parada, sem reação. Eu nunca vi a Luiza sem reação diante de uma mulher, mas ela ficou. Na semana seguinte lá estava ela de novo, sentada no mesmo lugar. Luiza pediu ao garçom que levasse o café por conta dela e um guardanapo onde ela escreveu: “ Me desculpe por bancar essa idiota a semanas, você me deixa nervosa!” Eu não acreditava no que estava lendo, perguntei:

- É nova tática?
- Não! Eu só estou sendo gentil, sei lá.
- Por quê?
- Eu não faço idéia.

Funcionou, a garota sentou ao nosso lado. Elas conversavam como se conhecessem há anos uma a outra e eu nunca vi a Luiza conversar e parar pra ouvir de fato nenhuma mulher que não fosse sua mãe, eu ou a empregada. Fiquei em choque! E depois catatônica quando ela disse que estavam namorando, que estavam se amando daquele jeito patético que ela dizia: “prefiro morrer”. Ela começou a correr das exs, se livrar das atuais e nem cogitar as futuras. Então eu me peguei bebendo o mesmo Jack Daniel’s dela e fumando aquelas cigarrilhas que achava tão fedidas, tudo isso sozinha no bar.