domingo, 29 de abril de 2012

Não é aquele tipo de paixão...


É estranho. Não é aquele tipo de paixão aterradora, mas o estranho não é isso. Estranho é essa vontade de não sair de perto, é achar que está tudo sobre controle, mas perder o governo quando ela me olha daquele jeito, como se compreendesse cada duvida, cada porque, cada porém. Não sei o que acontece, mas quando acho que tenho o domínio de tudo, ela me beija e vejo que não tenho o domínio de nada. Ainda sim, não é aquele tipo de paixão aterradora.

Já senti tanta vontade de ir embora... E eu sempre soube que eu podia, sempre pensei: “ A hora que eu quiser eu vou e tudo bem.” Isso sempre me confortou, ter essa certeza de que eu posso viver sem ela, que não é aquele tipo de paixão que quando você vai, sente que deixou um pedaço pra trás, não! É estranho, mas não é esse tipo de paixão.

Mas a verdade é que toda vez que tentei ir, eu nunca consegui. Talvez eu não queira ir ou talvez, surpreendentemente seja muito maior, muito melhor que aquele tipo de paixão aterradora. Porque quando penso em não ir, não é por medo, mas sim por ela.  

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Maktub.


Quase sempre ouço sobre o acaso quando o assunto é encontro, mas definitivamente esse não foi o nosso caso. Mesmo que eu fosse a pessoa mais cética do mundo, ainda sim, não seria.

Sempre foi evidente que nos precisávamos e que cada coisa, cada palavra, cada lágrima, gesto, sorrisos, idas ao mercado, finais de semana na cama, tentativas de fuga, engano e repetição de “somos somente companhia uma pra outra” foi e continua sendo por uma razão, o clichê estupidamente romântico de que: “maktub”, estava escrito.

Por que eu convidei a única pessoa que temos em comum, pra sair aquele dia depois de anos? Por que fiquei tão nervosa a ponto de usar a cantada mais imbecil que já ouvi? Por que não fui distante com você como fui com todas as outras? Por que quis te ver de novo? E de novo? E continuo querendo te ver? Por que deixei que entrasse na minha vida? Na minha casa? Por que deixei que entrasse em mim? Por que não consigo parar de pensar? Por que perdi o sono? Por que sinto essa urgência? Por que estou completamente apaixonada por você? Eu não sei. Fico exercitando essa mania que sempre tive de justificar tudo, de explicar e nada relacionado a você é explicável na verdade, nunca foi. Mas daí dizer que foi o acaso... Isso nunca! Não com você, não depois de tudo que aconteceu, não depois de tudo que mudou em mim. Tudo nos levou a esse encontro, porque você era exatamente a pessoa que eu precisava, ninguém poderia me entender melhor e arrisco dizer que o mesmo aconteceu com você em relação a mim, a nós.

Às vezes paro pra pensar no rumo que a minha vida teria tomado sem você, se eu não tivesse vivido a sua dor e você as minhas, se eu não tivesse o seu apoio, e a presença displicente, sem cobranças que sempre me fez sentir essa sensação de que você está aqui porque quer e isso é bom. Eu entendi o mundo através dos seus olhos e não que seu olhar seja o certo, mas ele me mostrou uma segunda opção, uma terceira, talvez uma quarta e uma quinta também, talvez você tenha me mostrado um infinito de novas possibilidades que a tristeza não me deixava ver. E o amor? Você levanta em mim essa questão, diariamente. Eu não conhecia o amor desse jeito, não sabia que dava pra amar assim, tão simplesmente, sem dizer nada e as vezes até negando ridiculamente que isso não é amor. Mas se não for, o que essa felicidade que sinto quando você chega? E essa preocupação do seu olhar? E essa vontade de me reinventar todo dia, só pra te manter interessada, por perto... O amor pode ser simples, ele pode acontecer mesmo contra a nossa vontade e desse jeito volto a afirmação a cima: Maktub, estava escrito.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fotografia

Se fossemos arte, seriamos uma fotografia. Eu seria o preto e branco, e ela a minha cor.

Eu achei que eu tivesse perdido a capacidade de ser romântica, a vontade de um carinho e bebi. Passei por dias solitários, cheio de pessoas que nem lembro os nomes, com a certeza de que se não me alegrasse com aquilo, não teria mais nada depois.

Eu não me importava e o que fui um dia já era completamente passado. Tudo ainda me doía muito e eu me agarrava a essa dor como desculpa pra minha falta de coragem. E quando eu achei que isso fosse tudo, sem mais, ela veio.

Quis fugir quando ganhei colo, quando me senti compreendida, quis fugir quando me peguei sentindo o meu sorriso e a vontade de sorrir. Quis fugir dos beijos, do desejo novo, daquela sensação feliz. Eu quis a infelicidade, mas ela não deixou e quando ela foi embora, eu vi que tudo havia mudado. Mas acontece que essa nossa fotografia era bonita mesmo com a mistura das cores. Então entendemos que talvez ela já não conseguisse ser só cor e nem eu só preto e branco.

E hoje somos essa fotografia oposta, cheia de contrastes. É... Talvez eu queira um álbum.