sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A ultima trilha sonora.


Perdi o sono, estou aqui a pensar, a me deixar levar por devaneios confortantes e completamente cômodos. Essa música... Ah! Me lembra nossa primeira vez naquele café. Agora me perdi. Voltei pro começo e estamos tratando do fim.

Quando partiu não me disse nada, carregou tudo nos olhos de Capitu, aqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Mas me deixou uma lista de músicas, que eu ouvi com a impressão de que em cada uma delas continha um pouco de tudo que ela queria dizer e não sabia como. Ou talvez tudo isso não passe de uma grande tolice e essa lista apenas seja a trilha sonora incrível de um belo pé na bunda.


Quando se está apaixonado, acredita-se em qualquer coisa, como se houvesse uma necessidade de se agarrar em qualquer besteira que te faça menos tolo e romantizar um momento desgraçado é algo que eu faço de melhor. Não me torna menos tola, mas é como me drogar, anestesia, estanca. E por que não o fazer? A desgraça é tão, como já diz o nome, sem graça. Não posso torná-la mais bonita ou menos desgraçada? Afinal de contas, os ignorantes são mais felizes. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Final Feliz


Havíamos acabado de transar, éramos duas pessoas completamente desconhecidas. É incrível como depois de gozar, neste caso, tudo torna-se meio impessoal. Eu sentei na beirada da cama, peguei o maço de cigarros que deixei no criado mudo, ascendi um e encostei a cabeceira. Ela me olhava curiosa.

- O que você faz?
- Escrevo. (tragando o cigarro)
- Sobre o que?
-Sobre o que eu penso, pequenas epifanias, contos, romances...
- E tá escrevendo alguma coisa agora?
- To trabalhando em um conto, mas não consigo terminá-lo.
- E por que não?
- O caso é que não sei que fim dar. Tudo que escrevo, geralmente é bem pessoal, tem tudo e todos a minha volta. Eu sou sujeito do que escrevo, mas sempre soube separar, sempre soube viajar em possíveis finais irreais. Agora neste caso... Sabe quando você não sabe o que pensar?  É como se eu fosse um livro inteiro e o resto das páginas pra frente, estivessem em branco. Eu não consigo ver, projetar. E eu sempre consegui, mas dessa vez é diferente.
- Sobre o que é?
- Um garoto que se apaixona por uma mulher mais velha.
- E o que isso tem a ver com você?
- Conheci uma mulher, ela nem é mais velha, mas me faz sentir assim, um garoto.
- Me da um cigarro?
- Você disse que não fumava.
- Não fumava, mas me deu vontade.
- Tá bem! Pega um. 

Ela pôs o cigarro na boca sem jeito nenhum, e eu ascendi pra ela. Na primeira tragada, teve um ataque de tosse. Eu ri e ela pareceu se irritar.

- Qual é a graça?
- Por que isso menina?
- Você me faz sentir como se eu fosse uma garota.

Peguei o cigarro das mãos dela e apaguei. Ela me olhava assustada, eu a beijei. O gosto do cigarro me excitava, beijei-lhe a nuca e lhe provoquei sussurrando sacanagens ao pé do ouvido. A cada sacanagem dita, ela estremecia em meus braços, completamente entregue, vulnerável a mim. Beijava-lhe os seios, a sentia com vontade e enquanto a tocava, ela gemia baixinho.Quanto mais a penetrava, os gemidos  aumentavam junto, até chegar ao descontrole sem pudor. E com a voz falha de tanto tesão, ela dizia ao pé do meu ouvido:

- Isso! Eu vou gozar, eu vou gozar... (repetidamente)

E gozou! Enquanto ela terminava, eu gozava vaidoso e satisfeito. Talvez aquela fosse uma boa sugestão para um final, talvez fosse disso que eu precisasse, um bom orgasmo pra um final feliz.

sábado, 13 de outubro de 2012

O que sobrou do céu


Primeiro tive um impulso, mas apaguei todas as possibilidades de resposta que eu pudesse dar. Porque logo em seguida me veio em mente, exatamente, as reais intenções dela com aquela carta. Eu a conheço o suficiente pra saber, mas não o bastante pra entendê-la, então pensei. Eu não sabia ao certo se ia querer atravessar aquela porta de novo, ainda mais agora que eu sabia todos os prós e contras que me esperavam por de trás dela.

Quis responder e achei fraqueza minha, pensei em tudo que ela havia me dito, pensei nos nossos erros, quis odiá-la, mas descobri exatamente nesse ódio e nessa "fraqueza", amor. Não adianta eu ficar encontrando desculpas racionais pra isso, nem levantar bandeira alguma de que um homem de valor tem que se dar ao respeito! Nada disso é relevante quando se tem o peito carregado de amor, mesmo que isso pareça uma grande estupidez ou simplesmente démodé demais. 

Então atravessei a porta, mesmo sabendo de tudo que tem me esperando por de trás dela. Porque o que sobrou, vai sempre sobrar quando for por ela, amor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Nunca mais!


Estou aqui, sentado no mesmo lugar que você me deixou, na mesma poltrona a meia luz, tomando o mesmo whisk barato, com o cinzeiro cheio de piedade. Coloquei na vitrola a Bachiana n°5, agora é só o que toca aqui em casa. É pra fazer juiz a esse clima pateticamente dramático que tomou conta de tudo, desde que você se foi. Coleciono dezenas de olhares seus em cada fotografia espalhada pela casa, são tantos...

Se eu soubesse que aquele seria o último abraço? Ah... Se eu soubesse... Eu teria te abraçado despido de qualquer medo, de qualquer angustia, ou dúvida, despido de qualquer orgulho, carregado da sinceridade mais pura e com ele diria todo o meu amor, mas eu não disse. Deixei-te ir, chorando por dentro, porque não tive coragem de chorar por fora, de mostrar minha “fraqueza”. Quanta estupidez...

Outro dia sonhei com você, eu estava deitado, com a cabeça em seu colo e você me afagava os cabelos enquanto repetia: “Não se martirize, meu amor! Não se martirize...”. Acordei chorando, você não estava lá, você nunca mais vai estar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vazio de tudo


Vazio! É assim que me sinto, vazio de tudo. E quanto mais vazio por dentro, mais cheio de tudo aparento ser. Eu não quero que as pessoas saibam, não quero que conheçam minhas dores, já divido tantas coisas... Não quero ser apontado como “o cara vazio”, embora isso seja exatamente o que eu sou ou estou, não sei bem.

Hoje é domingo e domingo também é um dia meio vazio, talvez seja por isso que parei pra pensar nessas coisas, na falta que ela me faz. Talvez eu eleja os domingos como "dias de execução" e ela como certo tipo de algoz.

Fumei um maço inteiro essa madrugada enquanto tentava redigir sentimentos. Depois que acabei de escrever, pensei: “Não seja ridículo! Desde quando se redigem sentimentos?”. Eu mesmo respondi: “ Desde quando me tornei essa espécie de funcionário publico do amor.” Modesta parte, eu tenho o dom das palavras, o dom da oratória e eu falo, eu falo até demais! Mas esse domingo estive pensando que talvez eu fale muito e diga pouco. É isso! Será por isso que ela nunca me entendeu? Ah! Que diferença isso faz agora? Ela está lá e eu aqui, vazio!

E assim continuará nas próximas semanas felizes, pelos próximos domingos deprimentes. Vou me eternizar canalha aos seus olhos e feliz por assim ser. E ser de fato, aos domingos, eu. Vazio! É assim que me sinto...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Como deve ser.


O que eu poderia querer de uma manhã tão fria? De uma manhã tão cinza? Adormecer em minhas angustias, ter pesadelos com meus medos, me perder nas minhas aflições. Ou eu posso escrever pretensiosamente e dizer de forma poética, nada racional que antes as minhas angustias, as aflições, do que a permanência.

Tudo que eu faço é demais, é exagerado, é extremista, mas e daí? Eu não suporto mais viver cheia desses olhos que julgam, que criticam, que não me deixam ser. Hoje em dia, quem tem coragem de ser? Quem tem coragem de ter? Se for pra escolher ser alguma coisa, então quero ser eu, no alto das inquietudes, no limite dos exageros. Quero ser egoistamente eu, pretensiosamente eu. Por que não há nada melhor pra ser, irônico não? Alguns diriam trágico, mas acho que eu diria cômico.

Eu estive pensando a madrugada inteira e cheguei a uma conclusão: Preciso de outra garrafa de whisky.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ponto de vista.


Fazia algumas semanas que eu havia dado aquele “murro”, contido a algum tempo, é verdade, mas num momento totalmente desastroso. Pensando bem, dei mais por mim do que por qualquer outra pessoa. Desde então, não durmo.

Ela sempre foi adepta da idéia de que “com bons sentimentos, se faz má literatura”, no fundo, também compactuo com isso. Então agora que ficou tudo uma merda, voltei a escrever com dignidade.

Abri uma garrafa de Whisky, ascendi um cigarro, mas só pra sentir o cheiro dele, só pra lembrar de como é ter o controle do que você quer realmente fazer da sua vida. Eu podia foder com ela, mas sou vaidosa demais pra isso. Então fiquei ali, só sentindo o cheiro dele, equilibrada na linha tênue entre um futuro bem estar e meu passado auto-destrutivo.  A quem eu estou enganando?

Saber o que eu quero, eu não sei, mas de repente tudo começou a fazer mais sentido, quando não me vi mais preocupada com isso, quando percebi que não importa muito se saber o que quer, afinal de contas tudo muda. Agora, fundamental mesmo, é saber o que não se quer e isso eu  descobri não tem muito tempo.

Talvez os relacionamentos sejam como canções. Uns muito harmoniosos e outros, embora desafinados, acabam ficando mais populares, durando de um jeito pouco compreensível, mas duram. Às vezes têm aqueles que a gente perde o tom também, acho que esses são os piores, pelo menos são os que me dói mais. Acho que a vida é isso, feita de pontos de vista, qual é o seu?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Tudo diferente.


Às vezes a vida tem um jeito estranho de falar, um jeito estranho de mostrar que tem alguma coisa errada. Tem horas que ela mira em quem está do seu lado e na verdade acerta você. Eu não sei se é proposital, eu nunca soube, mas não podia mais negar que havia me acertado em cheio. Foi como despertar de um sonho e tudo que sempre fez sentido, embora fosse nitidamente insano, já não fazia mais. Precisei rearmar tudo e me senti corrompida.

Senti-me suja de tudo aquilo que havia aceitado, tudo que havia vivido, tudo que havia bebido. Não que eu vá pregar agora, eu continuo a mesma fodida, só que agora sozinha. Definitivamente eu não preciso de alguém me dizendo o que fazer, ninguém além de mim mesma tem condições de ser minha mentora, meu mestre, meu guru. No geral, a culpa foi mesmo minha, afinal de contas, é mais fácil ter alguém pra culpar das cretinices, das boçalidades, das loucuras nada saudáveis realizadas.

Eu me deslumbrei com as festas, com os papos intelectuais ( antes de perceber que são hipócritas), com as cervejas importadas e principalmente em fingir ser algo que eu não era. Perdi-me e as poucas vezes que me achava, era quando percebia que eu era só um bichinho de estimação naquele meio, um projeto de caridade, ou ás vezes só alguém disponível a ser menor do que realmente era. Há quem vá achar ingratidão, afinal de contas, quanto dinheiro foi gasto? O que nunca entenderam é que eu nunca fiquei por isso, mas como podem entender? Não podem, jamais poderão...

Fiz minha trouxinha hoje e fui embora. Olhei pra cada um deles, ouvi cada discurso e pela primeira vez eu não tinha uma resposta, eu não tinha algo pra dizer, então eu fui. Eu entendi que ali, definitivamente, não era o meu lugar.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

WHAT THE FUCK ?


Quando você não quer sentir nada, é justamente quando você sente tudo. Eu não fiz nada da minha vida, tudo o que eu tenho foi me dado. Na verdade eu podia dizer que isso me incomoda, mas eu não sei ao certo se me incomoda mesmo ou se são as pessoas que fazem me incomodar.

Eu sempre achei que eu tivesse medo de viver, mas nos últimos tempos tenho notado mesmo em mim é uma preguiça absurda. Preguiça das pessoas, preguiça das regras, preguiça dos padrões e ultimamente dos “não padrões” também. Preguiça de ter que tomar uma posição quando amanhã tudo muda. Perdida? Depende do ponto de vista, do meu eu estou mais que achada.

Eu gosto de escrever e quase tudo que eu escrevo tem esse tom de conversa informal, às vezes até intima, mas quase sempre muito comum. Quem é que nunca sofreu de amor? Quem é que nunca fez uma merda na vida? Quem é que nunca foi um cretino? Quem é que nunca teve aquela transa gostosa que te da aquela vontade de contar vantagem? Eu sou assim, uma hora exageradamente apaixonada e noutra exageradamente canalha. Podia escrever sobre política, eu podia comentar as atrocidades do mundo, eu podia ironiza Paulo Coelho ( Espera, mas isso eu faço sempre que possível), enfim eu podia escrever sobre muita coisa, mas eu gosto mesmo é de falar de mim. Eu tive uma namorada que dizia isso, mas fazer o que? Cada um com seus problemas e o meu é sem dúvida ser exageradamente egocêntrica. Na verdade eu sou exageradamente muita coisa, mas sempre exageradamente antes de qualquer uma delas.

Gosto também de mulheres, a ruína da minha vida. Gosto de álcool, um sentido e gosto de cigarros, um momento de reflexão. Não sei qual dos três vai me matar primeiro, mas fica entre eles a possível causa da minha futura morte. Agora mesmo estava aqui fumando um cigarro e pensando na minha vida que, embora meio inútil nunca me fez pensar em suicídio, por pura vaidade evidentemente. Pra falar a verdade à primeira vez que pensei em suicídio foi numa aula de filosofia na faculdade, não me entendam mal, sou fascinada pela filosofia, mas Sócrates e Platão de forma didática é de se dar um tiro na cabeça. Eu geralmente começo meus textos com alguma pergunta, mas dessa vez eu acabo com uma: Que porra foi essa que eu escrevi?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A garota do bar.


Aquela garota quando entrava no bar, tirava atenção até mesmo de um alcoólatra da sua cerveja. Comigo não era diferente. Que atire a primeira pedra quem nunca teve o coração dilacerado por ela. Eu já tinha escutado que o efeito era devastador, mas quem disse que eu conseguia tirar meus olhos dos dela?

Eu lhe paguei um drink, ascendi seu cigarro, abri cada porta pela qual ela passava. Falei de Bukowski, Dostoievski, como se ales pudessem impressionar mais que o sorriso dela, a presença delicada, porém forte, que fazia até o mais poderoso Deus do Olimpo sentir-se menos que um mero mortal. Assim ela entrou na minha vida, como na de outros antes de mim, como vai entrar na de outros depois.

Ama-la era uma das melhores e piores coisas que podiam acontecer a alguém. No cotidiano sendo um mero mortal e a noite em sua cama sendo quase um semi-Deus, era isso que ela sabia fazer sentir. Então quando menos se espera, não sobra nada daquele mero mortal e nem um resquício do tal semi-Deus, você só é aquele mesmo cara de antes, aquele sentado no fundo do bar e ela só um sonho bom, bonito e breve.

Uma sensação que nem todos os maços de cigarro do mundo, nem todo álcool, drogas, bocas, corpos, sexo, poderiam apagar. A minha vida não se divide nem em antes, nem depois, ela foi apenas durante. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Maldito seja esse mau humor!


Venho aqui, com muito orgulho e sinceridade, admitir o meu mau humor. Não me entendam mal, não é que eu goste de ser mal humorada, nem é o caso de não gostar, o caso é de necessidade mesmo. Eu preciso reclamar! E como reclamo, desde futilidades como o meu cabelo, até o extremo do filho que ainda não tive.

Isso faz do meu humor negro um grande prazer pra mim, uma alegria pra quem não convive comigo e o inferno astral da minha família. Particularmente acho que reclamar é uma arte, não é pra qualquer um! Quantas pessoas reclamam e ainda conseguem ser amadas por ai? Sim, eu também sou modesta, mas isso é assunto pra outro texto.

Então é isso, acho único e quase inédito esse amor e o cultivo do meu mau humor, a sinceridade em admitir essa “ranhetice” que nasceu comigo e a velhice precoce que fui adquirindo ao longo dos meus vinte e cinco anos, que só aperfeiçoou a intensidade das minhas reclamações diárias. Às vezes eu acho que vou acabar jogando damas com os velhos da praça aqui perto de casa antes dos meus quarenta, o pior é que devo reclamar disso também.

Pensando bem, senti um pouco de tédio com esse texto e todo esse mau humor, as reclamações, vocês sentiram também? Acho que agora eu vou começar a reclamar das minhas reclamações. E lá vou eu de novo... Maldito mau humor!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Estranho seria se eu não me apaixonasse.


Eu amo a imperfeição feminina, eu desejo o que não é moda, vejo a verdadeira beleza mais profundamente do que um simples padrão. Eu gosto de aprofundar conhecimentos, gosto de ler as pessoas, não me contento com capas.

Se as mulheres soubessem a sinceridade contida em cada umas dessas imperfeições e o quão isso interessa, o quão isso é bonito, elas parariam com esse descontentamento do trivial, do pequeno, do irrelevante.

Percebam o que tem além! Notem os detalhes, as reentrâncias. As “lindas” que querem ser mais que somente isso, as “feias” cheias de complexos e insatisfações... Pratiquem a liberdade de conceitos e sejam lindas de qualquer jeito.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A ultima dose


Esse conto é sobre uma amiga que não podia ver uma garota bonita, uma mulher interessante, nem muito menos uma donzela em perigo. Nos conhecemos no mesmo bar que hoje enchemos a cara quase que cotidianamente. Um dia eu estava sentada tomando uma cerveja e ela se aproximou com aquele sorriso sacana, que levado a sério era subestimar a própria inteligência e se dirigiu a mim soltando a cantada mais barata que já ouvi na vida, dei um acesso de riso. No inicio ela ficou me olhando espantada e depois ria junto comigo da própria estupidez, dali em diante nunca mais deixamos de beber. Mas o conto não é bem sobre isso, essa foi só uma pequena introdução, na verdade bem modesta sobre quem é Luiza.

Agora vamos para a parte “ O que se tornou Luiza?”. Eu    nunca conheci alguém com tanta ex namorada, com tanto ex caso, ex amor, ex tudo e a cada semana uma futura ex pra transformar a atual, como num circulo vicioso, ou talvez quase uma cadeia alimentar. Tudo que ela tocava, no mínimo na semana seguinte, se tornava ex alguma coisa. E é claro que todos esses “ex” problemas a perseguiam por onde quer que ela fosse. Como ela resolvia? Transando! É tudo que ela sabe fazer e a julgar pela quantidade de mulheres, deve fazer bem, eu não sei.

O caso é que um dia entrou uma garota no bar, a garota. Ela sentou-se sozinha a mesa, era final de tarde e pediu um café. Abriu um livro, tentei ler o titulo, se não me engano era Dostoievski, pra nossa grande surpresa. Luiza me olhou e já foi caminhando em direção a ela. Fiquei olhando de longe, sem muita curiosidade por já estar cansada de ver aquele mesmo ritual dela. De repente ela voltou, não entendi.

- O que aconteceu?
- Falei com ela e ela simplesmente ignorou a minha presença. Como pode ser isso?
- A julgar por Dostoievski e isso, definitivamente é um garota esperta.
- Pode rir, mas não vai ficar assim! E que tipo de garota linda como ela é, lê Dostoievski? Como se ela precisasse...
- Você é tão babaca Luiza!
- O que? É verdade!

O caso é que aquilo mexeu com ela, Luiza não tirava os olhos daquela garota e não enxergou mais ninguém aquele dia. A garota passou a freqüentar nosso bar, Luiza se exibia sempre que podia, falando sobre cinema e Godard, enquanto fumava cigarrilha e bebia Jack Daniel’s. Mas a garota nunca prestava atenção, pegava as coisas e ia embora, em resposta ao circo que Luiza montava pra chamar sua atenção. Um dia durante uma dessas saídas, Luiza foi atrás dela, elas pararam bem próximas a mim e deu pra ouvir quando a garota disse:

- Por que você não pode ser normal? O dia que parar com o gênero, eu te escuto, ok?

Ela saiu e deixou Luiza lá parada, sem reação. Eu nunca vi a Luiza sem reação diante de uma mulher, mas ela ficou. Na semana seguinte lá estava ela de novo, sentada no mesmo lugar. Luiza pediu ao garçom que levasse o café por conta dela e um guardanapo onde ela escreveu: “ Me desculpe por bancar essa idiota a semanas, você me deixa nervosa!” Eu não acreditava no que estava lendo, perguntei:

- É nova tática?
- Não! Eu só estou sendo gentil, sei lá.
- Por quê?
- Eu não faço idéia.

Funcionou, a garota sentou ao nosso lado. Elas conversavam como se conhecessem há anos uma a outra e eu nunca vi a Luiza conversar e parar pra ouvir de fato nenhuma mulher que não fosse sua mãe, eu ou a empregada. Fiquei em choque! E depois catatônica quando ela disse que estavam namorando, que estavam se amando daquele jeito patético que ela dizia: “prefiro morrer”. Ela começou a correr das exs, se livrar das atuais e nem cogitar as futuras. Então eu me peguei bebendo o mesmo Jack Daniel’s dela e fumando aquelas cigarrilhas que achava tão fedidas, tudo isso sozinha no bar.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Poema que nunca existiu

Hoje passei naquela loja que eu nunca te levei.
E lembrei.
Dos presentes que não compramos.
Do melhor café que nunca tomamos.

Ascendi um cigarro e sentei no meio fio.

Lembrei dos planos que não fizemos.
Dos sorrisos que não demos.
Dos beijos que faltaram.
E chorei as lágrimas que sobraram.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Costume.

Quando a gente se acostuma com alguém, com o tempo, esquecemos de reparar os detalhes. Detalhes do tipo, quando ela passava a mão no cabelo pra tira-lo dos olhos, ou só pra fazer charme por saber o quanto eu acho lindo quando isso acontece. Ou quando os olhos dela brilham e ela se ilumina toda quando fala de geografia e música. Ou também a fotografia linda que é acordar ao lado dela e ver de fora só um pedacinho do mapa que ela tem desenhado nas costas.

Com o tempo a gente vai se acostumando, enquanto tudo isso continua acontecendo. Por mais românticos que sejamos, por mais detalhistas... Nós nos acostumamos! Não por que não haja mais amor, não. Simplesmente deixa de ser novidade, e então vamos deixando pra amanhã. Só que quando o amanhã não chega mais é que você percebe essa falta e se vê sozinha escutando aquela música que ela te mostrou e você não deu muito atenção, várias vezes ao dia. Ou se pega aberta a tentar praticar aquela dica que ela te deu e por orgulho você nem tentou. Isso tudo, só porque você sente saudade, só pra faze-la mais presente.

Até que você de novo se acostuma, a saudade já não é mais novidade, os detalhes já não importam mais e você percebe que ela se foi e não vai mais voltar. É meio triste, mas a gente sempre se acostuma.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Disritmia

Quando eu a conheci, eu ainda amava a outra, eu ainda enchia a cara pra brindar o meu estilo “merda de vida”. Sempre foi assim, as mulheres sempre me destruíram, mas elas também sempre me salvaram. Elas sempre me provocaram reações dúbias e contraditórias. Desde arruinando a minha vida completamente, até o despertar de uma nova perspectiva em mim. Eu não as culpo, muito menos odeio, eu até já espero. Cresci em meio a um monte delas e não dá pra não amar cada detalhe neurótico que elas tem, que eu também tenho. A verdade é que eu não resisto a elas, sou completamente apaixonada por cada reentrância labiríntica. Então eu vivo essa espécie de disritmia.

Mas quando eu a conheci, além de amar a outra eu não queria saber. Ascendi meu cigarro e ela pediu um. Eu não disse nada, só inclinei o maço e ela pegou um. Em seguida perguntou se eu tinha fogo, olhei sem paciência e pensando: “ será que não se pode estragar a vida num bar, sozinha e em paz?”, mas não falei nada. Só ascendi o cigarro dela. Ela puxou uma cadeira e sentou-se a me olhar, fumando com aqueles trejeitos afetados que ela tinha e o batom vermelho, manchando a pontinha do cigarro de leve.

- Tá esperando alguém? Posso me sentar? – Perguntou
- Já está sentada.
- Incomodo?
- Bastante!

Ela sorriu. Eu não entendi bem, mas naquela hora alguma coisa me mordeu.

- Acha engraçado? – Perguntei
- Eu acho, você não?!
- Nem um pouco!
- Já sei, desilusão! Acertei?
- E o que interessa?
- Interessa muito! Você me interessa!
- Olha eu não tô afim ...
- Geralmente me olham bastante sabia?
- Nossa, que bom pra você! – (Bebendo minha vodka)
- Ela devia ser importante.
- Ela quem?
- O motivo da bebedeira e de você nem ter me olhado.
- Já passou por essa sua cabecinha pretensiosa que eu não esteja afim, simplesmente porque não gostei, ou talvez você não faça o meu tipo?
- Na verdade não.
- Pois é!

Ficamos em silêncio por alguns minutos, ela voltou a falar.

- E então?
- Então o que?
- Como ela era?
- Você não vai desistir não é?
- Não!
- Era ótima, somos amigas ainda, nos gostamos muito.
- E por que não deu certo?
- Havia tudo, menos amor. Digo amor mesmo, paixão. No fim, não tínhamos saída. Foi melhor!
- Ela devia ser bem legal.
- Ela é.
- Sente muita saudade?
- Às vezes sim. Normal de quem tá acostumado com a outra pessoa.
- Você quer parecer fria... Fala com desdém de tudo, faz pouco caso. Será que é assim mesmo?
- Assim mesmo o que garota? – (Virei o resto da dose, já meio alta)

Ela se inclinou, chegou bem perto de mim, frente a frente. Os instantes que duraram essa aproximação, foram delicados. Eu pude sentir o perfume feminino vindo do longo cabelo dourado que ela tinha. Nos olhos, um castanho confiante, com um sorriso sacana. Eu podia ver o pavor que meus olhos expressavam, no reflexo dos dela. Ela sussurrou:

- Então, tá esperando alguém?
- Por hoje, não mais.

Ela sorriu.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O velho e o novo

Abri o meu armário e em uma caixa, no fundo dele, guardei minhas lembranças. Lembranças essas, é verdade, amo profundamente, do fundo do meu coração e sempre vou amar, mas é só. Porque apesar do velho mexer comigo, o novo me interessa, o novo me encanta, desde a primeira vez que o vi, o novo sempre me encantou.

Guardei o velho nessa caixa, no fundo do meu armário, em paz com ele e o amando mais, agradecida por que foi esse velho que me trouxe até o novo. Esse novo, o único que eu não quero que se torne velho. Por isso há meses venho falando sem parar, mesmo todas essas coisas sem sentido. Porque me apavora a idéia de haver um silêncio entre nós, um curto espaço de tempo, mas suficiente pra você dizer que já está tarde e tem que ir, e no fundo eu não quero que vá, nunca mais.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sincero


Acho que eu nunca me abri de verdade pra ela. Evitei sempre o máximo que eu pude escrever sobre, pra não cair em nenhuma armadilha, pra não trair os limites que impus quando o assunto é ela. Devo admitir que depois desse tempo todo e de toda a história que ambas andam escrevendo em relação “nós”, eu estou cansada. É como se cada limite e cada parada que eu dou nessa locomotiva a todo vapor, cheia de bons sentimentos por ela me tirassem anos de vida, de alegria, de sentido.

Fiz uma promessa estúpida a algum tempo e me doutrinei a ela. Desde então tenho militado contra o amor, a favor de uma vida rasa e sozinha. Cheguei a acreditar que seria possível viver só e que nada me tiraria do caminho até o fim, onde eu respiraria aliviada e diria “Eu fui senhora de mim”, mas que grande besteira! Eu não quis admitir a proporção da alegria que ela me trás, nem a proporção das frustrações, nem o prazer e nem um monte de coisas, altos e baixos absolutamente normais que sempre foram a graça entre nós. Porque eu nunca busquei perfeição nela, pelo contrário, nossas imperfeições sempre foram a beleza dessa história que hoje, aqui e agora eu quero confessar que acho linda, uma história e tanto.

Mas eu sempre me limitei, eu sempre me fechei, eu sempre disse muito, mas nunca disse tudo e isso vem se acumulando aqui dentro, me fazendo perder vida. Essa coisa das confusões, das dúvidas em relação aos sentimentos dela, sempre me impediram de ir pra rua e brincar mesmo, não só voltar suja, mas talvez voltar machucada, ralada, com a certeza de que eu aproveitei cada segundo daquela brincadeira toda. Eu agora quero falar e não importa se vai fazer ou não diferença pra ela, porque o que realmente importa é que descobri que vai fazer diferença pra mim.

Eu gosto da companhia dela e gosto de dividir meu dia, minhas vitórias, minha derrota, eu gosto de dividir tudo com ela. É uma das primeiras pessoas em quem eu penso quando acontece qualquer coisa, é uma das primeiras pra quem eu dou boas noticias e uma das primeiras também a quem eu peço colo. Ela é um norte e me faz querer sempre ser uma pessoa melhor. Confesso a vontade indiscriminada de me entregar a isso, a nossa amizade, a nossa história torta de “amor”. Vontade de não pensar em nada, no fim disso tudo e de como poderia acabar, vontade de parar de tentar controlar nossa história como se fosse um dos meus contos, que acaba como eu quiser. Ela me alcança de um jeito que não sei mais como evitar e acho que nem quero. 

Não sei dar nomes ao que sinto, não sei se é amor ou uma de suas derivações, não sei se é paixão ou uma amizade muito gostosa, eu não sei. Mas a verdade é que nomes não me importam mais, o que eu sinto é maior que rótulos, maior que a torcida contra e agora percebi que é também maior do que as minhas limitações, mesmo que elas ainda estejam vivas aqui dentro de mim.

Se eu pudesse mudar alguma coisa, eu não mudaria nada. O jeito crítico que tanto reclamo, as confusões, as dúvidas, o radicalismo, tudo isso faz parte do eu “amo” nela e se fosse diferente, bem... Não seria ela! Quando eu a vi pela primeira vez naquele bar, com as mãos na cintura e um sorriso largo, eu comprei o pacote completo. Se eu pudesse escolher, eu a escolheria e embora eu sempre tenha dito o contrário pra ela, eu me casaria e não é só porque eu quero casar, eu me casaria com ela. Eu dividiria minha vida, filhos, aniversários em família, os problemas, os choros e tudo que eu digo que acho careta. Confesso também que já foi mais que só uma vontade, eu já imaginei isso. E eu a escolheria, mesmo sabendo que não sou a escolha dela, eu a escolheria porque além de ser difícil viver sem aquele sorriso dela e toda a alegria que ela me trás, eu a escolheria porque ela é a mulher mais admirável que já conheci, porque é forte e focada, porque é alegre e companheira, uma amiga com quem eu posso conversar sobre tudo, desde as coisas mais bobas até o aquecimento global. Eu a escolheria porque em meio a isso tudo que acabei de escrever e descrever, eu acho que seria adorável envelhecer ao lado dela, não teria companhia, abraço e papo melhores.

domingo, 29 de abril de 2012

Não é aquele tipo de paixão...


É estranho. Não é aquele tipo de paixão aterradora, mas o estranho não é isso. Estranho é essa vontade de não sair de perto, é achar que está tudo sobre controle, mas perder o governo quando ela me olha daquele jeito, como se compreendesse cada duvida, cada porque, cada porém. Não sei o que acontece, mas quando acho que tenho o domínio de tudo, ela me beija e vejo que não tenho o domínio de nada. Ainda sim, não é aquele tipo de paixão aterradora.

Já senti tanta vontade de ir embora... E eu sempre soube que eu podia, sempre pensei: “ A hora que eu quiser eu vou e tudo bem.” Isso sempre me confortou, ter essa certeza de que eu posso viver sem ela, que não é aquele tipo de paixão que quando você vai, sente que deixou um pedaço pra trás, não! É estranho, mas não é esse tipo de paixão.

Mas a verdade é que toda vez que tentei ir, eu nunca consegui. Talvez eu não queira ir ou talvez, surpreendentemente seja muito maior, muito melhor que aquele tipo de paixão aterradora. Porque quando penso em não ir, não é por medo, mas sim por ela.  

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Maktub.


Quase sempre ouço sobre o acaso quando o assunto é encontro, mas definitivamente esse não foi o nosso caso. Mesmo que eu fosse a pessoa mais cética do mundo, ainda sim, não seria.

Sempre foi evidente que nos precisávamos e que cada coisa, cada palavra, cada lágrima, gesto, sorrisos, idas ao mercado, finais de semana na cama, tentativas de fuga, engano e repetição de “somos somente companhia uma pra outra” foi e continua sendo por uma razão, o clichê estupidamente romântico de que: “maktub”, estava escrito.

Por que eu convidei a única pessoa que temos em comum, pra sair aquele dia depois de anos? Por que fiquei tão nervosa a ponto de usar a cantada mais imbecil que já ouvi? Por que não fui distante com você como fui com todas as outras? Por que quis te ver de novo? E de novo? E continuo querendo te ver? Por que deixei que entrasse na minha vida? Na minha casa? Por que deixei que entrasse em mim? Por que não consigo parar de pensar? Por que perdi o sono? Por que sinto essa urgência? Por que estou completamente apaixonada por você? Eu não sei. Fico exercitando essa mania que sempre tive de justificar tudo, de explicar e nada relacionado a você é explicável na verdade, nunca foi. Mas daí dizer que foi o acaso... Isso nunca! Não com você, não depois de tudo que aconteceu, não depois de tudo que mudou em mim. Tudo nos levou a esse encontro, porque você era exatamente a pessoa que eu precisava, ninguém poderia me entender melhor e arrisco dizer que o mesmo aconteceu com você em relação a mim, a nós.

Às vezes paro pra pensar no rumo que a minha vida teria tomado sem você, se eu não tivesse vivido a sua dor e você as minhas, se eu não tivesse o seu apoio, e a presença displicente, sem cobranças que sempre me fez sentir essa sensação de que você está aqui porque quer e isso é bom. Eu entendi o mundo através dos seus olhos e não que seu olhar seja o certo, mas ele me mostrou uma segunda opção, uma terceira, talvez uma quarta e uma quinta também, talvez você tenha me mostrado um infinito de novas possibilidades que a tristeza não me deixava ver. E o amor? Você levanta em mim essa questão, diariamente. Eu não conhecia o amor desse jeito, não sabia que dava pra amar assim, tão simplesmente, sem dizer nada e as vezes até negando ridiculamente que isso não é amor. Mas se não for, o que essa felicidade que sinto quando você chega? E essa preocupação do seu olhar? E essa vontade de me reinventar todo dia, só pra te manter interessada, por perto... O amor pode ser simples, ele pode acontecer mesmo contra a nossa vontade e desse jeito volto a afirmação a cima: Maktub, estava escrito.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Fotografia

Se fossemos arte, seriamos uma fotografia. Eu seria o preto e branco, e ela a minha cor.

Eu achei que eu tivesse perdido a capacidade de ser romântica, a vontade de um carinho e bebi. Passei por dias solitários, cheio de pessoas que nem lembro os nomes, com a certeza de que se não me alegrasse com aquilo, não teria mais nada depois.

Eu não me importava e o que fui um dia já era completamente passado. Tudo ainda me doía muito e eu me agarrava a essa dor como desculpa pra minha falta de coragem. E quando eu achei que isso fosse tudo, sem mais, ela veio.

Quis fugir quando ganhei colo, quando me senti compreendida, quis fugir quando me peguei sentindo o meu sorriso e a vontade de sorrir. Quis fugir dos beijos, do desejo novo, daquela sensação feliz. Eu quis a infelicidade, mas ela não deixou e quando ela foi embora, eu vi que tudo havia mudado. Mas acontece que essa nossa fotografia era bonita mesmo com a mistura das cores. Então entendemos que talvez ela já não conseguisse ser só cor e nem eu só preto e branco.

E hoje somos essa fotografia oposta, cheia de contrastes. É... Talvez eu queira um álbum.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia "D" depressão.

Hoje foi um daqueles dias em que eu nem precisava acordar. Um dia daqueles a ser pulado, sabe? Banido da memória! Levantei e peguei a primeira roupa que vi na frente, escovei os dentes com muito esforço e me escondi atrás dos óculos, isso como de costume.

Olhei no espelho e senti uma vontade louca de me jogar pela janela do meu apartamento, mas lembrei que morava no primeiro andar, seria ridículo. Além disso, mesmo que eu morasse no décimo, jamais teria coragem.Sou vaidosa demais pra acabar com a minha própria vida, acho desperdício.

Fui trabalhar ao som de Radiohead, ouvi o suficiente pra chegar querendo cortar os pulsos e em seguida senti uma preguiça enorme de tanta depressão. Achei graça.

sábado, 3 de março de 2012

O meu perfeito

Engraçado esse rumo que tudo tomou. Sinto-me deixando uma vida inteira pra trás, aquele passado que eu nunca deixei ser, pessoas que eu nunca deixei ir e eu, que nunca me deixei ir também, que me recusei a reconhecer que a cada dia que passa já não sou mais a mesma. Eu teimo em ser, mas eu não sou.

Provavelmente hoje eu não sentirei os mesmos sentimentos de ontem e amanhã já não vai ser mais como hoje. E não que o "perfeito" não exista aos vinte cinco anos, ou até mesmo aos cinquenta, mas o que é perfeito? Perfeito é chorar por um amor que não foi, é exagerar na dose, é largar tudo por um erro. É voltar e ganhar não todos os abraços do mundo, mas os únicos que você realmente precisava ganhar, é se enganar nas próximas escolhas com a certeza quase absoluta de que você está certa e perceber na prática que não, é acreditar de novo e amar o contrário de você, e mesmo sabendo que pode dar tudo errado, mesmo dando tudo errado, mesmo assim, ter a certeza de que faria tudo de novamente, só pra sentir de novo aquele "bem temporário".

O perfeito na verdade é cheio de imperfeições e são nessas imperfeições que está contida a beleza da vida, a graça de tudo, são com essas imperfeições que aprendemos alguma coisa, até mesmo a não aprender absolutamente nada. Porque nada dura pra sempre.


Como diz o ditado: " não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe. Hora de ir buscar novos " males" que não vão durar e novos "bens" que de vez enquanto  se acabem.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Paradoxo.

É sempre assim, eu entro e saio de milhares de relações. Eu estou sempre me atirando na pessoa errada, como se eu estivesse fugindo, mas de que? São três da manhã e eu estou um pouco bêbada, na verdade bêbada o suficiente pra admitir que acabo sempre no mesmo lugar. Quantas vezes eu não quis pensar e ocupar minha mente, meu corpo, meu coração. Quantas vezes eu não quis desejar e amar a única mulher que não pode ser minha.

A vida inteira eu fiz por outras, o que eu queria estar fazendo por ela. Eu criei esse paradoxo e o alimento quando sou desonesta com elas, quando sou desonesta comigo. Eu mergulhei na hipocrisia, criei um fantástico mundo aonde eu vou da princesa encantada a puta desgraçada. Mas a verdade é que eu nunca fui tapa buracos de ninguém, elas sempre fizeram mais isso por mim do que eu por elas.

Eu precisava esconder minha vergonha, o medo, o pavor que sinto de tentar por ela. Então eu vivo idealizando, escapando... Isso é loucura, sempre foi! Não preciso ouvir o som da sua voz pra saber, o toque que eu nunca senti, o beijo que acontece a anos somente nos meus sonhos, o desejo, a respiração ofegante que nunca ouvi, o encontro que nunca tivemos, eu sei, sempre soube que era ela.

Então eu guardo tudo que nunca dei em uma caixinha, no fundo do meu armário. O que eu devo fazer? Ela me disse que eu busco o contrario, mas garota, se eu busco o contrario é porque sempre quis buscar a você. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O meu engano

Certa vez, em meio a mais uma dessas bebedeiras pra afogar as magoas, uma amiga me disse: “ você não pode ver uma donzela em perigo, você tem que salvar. Para!”. Fiquei pensando sobre isso e é verdade, eu tenho uma necessidade quase existencial de “salvar” pessoas, ou como preferirem chamar, de forma mais realista, tapar buracos, curar feridas e então deixa-las ir.

Agora pensando bem, faz sentido. Mas depois que eu li um texto de Caio Fernando, onde ele fala: “A moça…Ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?” Então eu me perguntei, por quem eu espero? Eu nunca me deixei salvar, eu nunca entreguei a minha vida, de fato por inteiro, nas mãos de alguém, como quem diz: “ Toma, faz alguma coisa! Ou melhor, faz tudo! Tudo que você puder e o que não puder também, mas faz alguma coisa!”

Não sei se eu sei fazer uma coisa dessas, não consigo nem me imaginar fazendo. E, além disso, sendo assim, o que eu faria? Agora eu as entendo. Sempre enchi a boca pra falar que eu me entrego por inteiro, mas quanto engano. Eu nunca me entreguei.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ama-me com ternura

As pessoas não entendem muito bem, mas eu preciso estar apaixonada, eu tenho essa necessidade. Se não for por alguém, por alguma coisa ou alguma idéia... Não importa o que seja, mas estar apaixonada é fundamental pra minha existência.

Fazer algo sem paixão, viver sem paixão, é como perder o sentido. Eu entendo que existam pessoas que consigam viver sem isso, mas a pergunta é: Elas realmente sentem prazer? Digo esse prazer que eu sinto, essa entrega ousada, nada covarde... Eu não nasci pra viver uma vida morna. Não sei fazer nada no automático, não planejo, eu simplesmente sinto. É assim quando escrevo, quando tiro uma foto, quando falo com alguém, quando beijo, quando abraço... Eu sinto!

Não sei viver a longo prazo, não sei agir em prestações. Quando quero, quero pra ontem porque o amanhã ainda não existe e eu nem sei se de fato irá existir.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Definitivamente não.

Uma vez alguém me disse, em uma dessas conversas de bar, que eu desisto muito fácil das pessoas. Não sei, pensei sobre isso e acho que não é que desista fácil, as pessoas é que me fazem desistir delas.

Não sou uma pessoa complicada, mesmo sendo mais emocional do que racional, ainda sim eu sou prática. Não digo que seja assim no meu dia a dia, pras coisas do senso comum, mas sim pra como me relaciono com as pessoas. Se gosto de alguém eu gosto, se não gosto, não gosto, não tem o “mas...”.  A vida já é complexa demais por si só, então eu não complico o que há de simples nela.

As pessoas estão sempre buscando e nem sabem o que, e às vezes quando sabem, fazem questão de buscar o impossível, ou algo que não existe, como se precisassem viver frustradas, insatisfeitas. 

Não! Definitivamente não! Eu não desisto fácil das pessoas, elas só de repente perdem o sentido pra mim.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ciúmes

Um dia antes daquele fatídico fim de semana, quando nos despedimos, ela disse bem baixinho no meu ouvido: “te adoro” e em seguida me beijou o rosto. Ela não era muito de falar, achei estranho e com a minha cabeça fervilhando de pensamentos insanos, não sabia o real significado daquilo. Por que agora? Justo agora?

Besteira minha! Decidi não pensar e ocupar minha cabeça com álcool e boa companhia, não sei se era suficiente, mas se não fosse, tinha que ser! E assim se foi à sexta-feira... Com a chegada do sábado, a ressaca. Acordei meio fora do meu corpo e fiquei ali jogada na cama por mais pelo menos duas horas. Então decidi tomar um banho, vestir minha melhor roupa e zombar da minha estupidez. Pra curar uma ressaca, nada melhor que outra.

Logo veio a noite e com ela nenhuma noticia, fingi que não estava esperando, mas era mentira, eu estava sim! Passei aquela madrugada acordada, eu, o cigarro e Bukowski, escolhido a dedo para a ocasião. Adormeci com o cinzeiro cheio e Bukowski ao lado. Olhei aquilo e pensei ironicamente que, embora ele fosse um dos meus favoritos, não era bem ao seu lado que desejava acordar.

O domingo chegou mais deprimente do que ele já é por si só. Eu não conseguia fazer nada a não ser pensar ridiculamente no que ela estaria fazendo pra esquecer assim de mim. Patético! Ascendi um cigarro e com ele vieram as suposições, a agonia de cada uma delas. De tanto pensar, saiu sem querer como um desabafo, um grito: “ Dane-se!”. E o ciúmes havia tomado conta de mim.


sábado, 28 de janeiro de 2012

Madame Butterfly

"Sou uma bêbada fodida!" Repito isso a mim mesma todas as manhãs, em frente ao espelho. Vou até o armário, visto o meu personagem e me anestesio na fantasia de um copo de vodka, tudo isso ao som de Madame Butterfly. A música não para e enquanto isso, vejo as pessoas falando... Elas mexem os lábios, gesticulam, mas eu não as escuto. Faz tempo que me recuso a escutar o que dizem, me tornei uma ignorante e é por isso que ela não pode ficar.

Pra ela eu não consigo mentir, não consigo representar, é uma ameaça ao contexto de toda uma obra. Ela não sabe bem o que sou, mas sabe o que eu não sou e eu não sou uma bêbada fodida. Digo a ela " eu não quero ser salva" e ela me diz " mas você não precisa ser." Então me beija quando tento deixa-lá, me olha o fundo da alma e me toca com a certeza da minha incapacidade, da minha impotência quando usa o seu corpo. Por isso preciso que ela me deixe, antes que eu deixe de ser.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Aquele cantinho da "felicidade"

Fui pra casa mais cedo aquele dia e fiquei por horas olhando fotos antigas, saudosas. Chorei durante toda aquela noite e pensei no que me esperava ao voltar, o que falaria com meu pai? Somos completos desconhecidos um para o outro, sempre fomos na verdade.

Chegando em "casa", permaneci muda, presa nas paredes do quarto, nas fotos da minha infância e nas lembranças doloridas que tudo aquilo me provocava. Dei uma volta pela casa, pelo quintal... Ainda não tinha revisto tudo. No canteiro a planta da felicidade murcha, seca, com uma plaquinha velha, quase apagada que dizia: “Somos felizes”. Mas será que somos? Será que algum dia já fomos? Não sei. 

Nada é igual a como era antes, mas eu insisto em agir como se isso não me afetasse... Será? Porque eu ainda choro e então me dizem que o tempo cura tudo... Mas será que cura mesmo? Porque eu ainda bebo pra esquecer que não sou a mesma e que tudo ainda anda meio fora de lugar.