segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não me peça.

Eu peco pelo exagero, eu erro com excessos, eu acerto com um sorriso, eu me redimo com um abraço, essa sou eu e não me julgue pelo que faço. Tudo tem um sentido, embora nada pareça ter, o que a mim parece certo, pode ser sujo pra você. 

Eu não sou de meias palavras. Já fui, hoje não há nada que eu sufoque em mim, nem mesmo esse meu desejo de liberdade absoluta, tão incompreendido em sua maior parte pelos que mais amo. 

Sou tão humanamente normal, por que esperar tanto de mim? Quanto tempo temos? Não sei! E é justamente por não saber que eu peco pelo exagero e erro com os excessos, aprendo com a vida. 

Não me peça pra desistir de viver meu erros, por que não?Não me impeça de cumprir com o meu destino seja ele qual for, um romance ruim, uma vida sem juízo, pensamentos absurdos, ideias que não fazem o menor sentido. Nada é absoluto ou infinito, a vida é muito relativa... Essas são as minhas considerações e há quem concorde, e há quem discorde, ai que tá graça. 

Não me faça escolher, porque eu nunca pedi que entendessem. Não me peça tudo quando pra você o que tenho a oferecer é nada.

domingo, 25 de setembro de 2011

O que será?

Existem pessoas que são condicionadas, eu não ou pelo menos tento não ser. Saber o que vai acontecer? Pra que? Por quê? Dou-me ao luxo de escolher meu próprio caminho, de fazer minhas próprias escolhas. É preciso ser livre para viver, se não se é não tem sentido, não tem por que. Não vou beber minhas ideias e guarda-las oprimidas no meu ser, eu não preciso disso. Vou até a o fim por meus ideais, por tudo que acredito, ou sou livre ou não sou nada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lembranças de um despertar.

Um dia acordei pela manhã e lá estava ela ao meu lado me sorrindo. Achei tão bonita aquela cena ao acordar, ela entre os lençóis da minha cama, mas tão bonita que eu a quis mais vezes, naquela mesma cena repetidamente como se fosse minha cena favorita de um filme. Achei curioso...

Passaram-se três semanas e aquele despertar ainda me parecia tão bonito quando o primeiro, até mais pra falar a verdade como se cada dia ele fosse diferente em algum pequeno detalhe que eu não sabia ao certo qual era, mas havia um. Ela me trazia o café depois do meu banho matinal e eu ia trabalhar com aquela manhã na cabeça.

Um dia eu acordei e ela me olhava. Perguntei:

- O que houve?
- Fazem três semanas que estamos juntas.
- Já? três semanas? Nossa, nem havia me dado conta.

E não mesmo, mas eu sabia que o fato dela lembrar já queria dizer alguma coisa que eu não entendia muito bem ( às vezes me faltam pensamentos femininos). E acho graça de lembrar que o primeiro pensamento que me veio em mente foi: " Nossa! Mas já três semanas?". Hoje obviamente eu pensaria o contrário. Mas quando se é jovem é assim mesmo, se tem essa ideia intensificada do mundo, da vida, das coisas. 

Depois disso já estávamos morando juntas. Todo dia as seis da manhã ela me acordava pra ir trabalhar, o beijo tinha gosto de café e eu ficava sempre mais cinco ou dez minutos na cama. Ela dizia: " Anda amor, vai se atrasar!". Achava atencioso da parte dela se preocupar.

Três meses se passaram e o beijo com gosto de café já não parecia o mesmo, a cena dela entre os lençóis já não era mais tão bonita. Ela se irritava com meus atrasos e eu com os gritos dela. Quem grita as seis da manha? (Pelo amor de Deus!). Passei a me atrasar mais só com a finalidade de irrita-la tanto quando ela me irritava ali jogada nos meus lençóis, me ditando regras como se eu estivesse transando com uma combinação de Hitler com Mussolini e por que não citar também Salazar?!

De repente ela já não trazia mais café e eu voltei a frequentar a padaria da esquina. Mas isso não resolvia nada, o abismo entre nós era constantemente maior do que o do dia anterior e assim sucessivamente. Foi quando então ela decidiu partir. Não sei se fiquei triste, mas também não fiquei alegre, era só aquele vazio da casa como se sempre tivéssemos sido eu e ela, mas não era. Achava graça de sentir falta dela me chutando da cama e no primeiro dia eu até a procurei numa espécie de delírio sonolento, depois me lembrei que ela não estaria mais e assim eu continuei vivendo até que ela deixou de ser uma falta pra virar uma lembrança externa mentirosa do que eu não quero mais e uma lembrança interna saudosa do que no fundo um dia eu talvez ainda possa querer. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vida que segue.

É assim mesmo, tudo que tem início tem um fim. Quando finalmente entendi isso, minha dor já não era mais dor, a vingança e o orgulho ferido já não faziam mais sentido. Era como se eu estivesse vazia de sentimentos por ela, não sentia nada, ela já não me afetava, já não me provocava. Assustei-me e reli o livro da minha vida, eu não fazia ideia do que andava escrevendo nela ultimamente e foi como despertar de um sonho ou de um pesadelo, não sei. 


Li coisas das quais não gostei e me dei conta de certo sentimento que alguém me despertara. Eu sempre sobre soube dele, mas sempre calculei também tudo que eu dizia, tudo que eu fazia. Com isso a verdade é que eu acabei dizendo tudo errado, fazendo tudo errado, mas e agora? O tempo não para... Ele não volta, não dá pra rebobinar nossa vida como se ela fosse um filme. Arrependo-me de algumas coisas e o resto julguei necessário. Penso no que vou fazer daqui pra frente, porque a vida, essa sempre continua.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Algo além da compreensão.

Não fale de mim ou das minhas dores com tanto conhecimento de causa, as coisas nunca são iguais nos seus detalhes, então não me banalize! Isso eu não consigo suportar, porque eu sou os meus medos, eu sou minhas dores tanto quanto minha alegria, meu contentamento. Não questione, não reclame e se achar tudo isso loucura vá embora! Vá buscar o que você quer, não tente inventar nada em mim.

E não adianta querer-me no seu mundo, na sua vida desesperadamente. Não adianta Beber-me, alimentar-se de mim como um vampiro emocional. Nada disso vai me trazer pra perto...

O amor pode ser tudo, todas essas besteiras nas quais me recuso a acreditar, tudo! Menos possuir o outro.

sábado, 17 de setembro de 2011

Nua.


Entre as minhas lembranças, vez ou outra me pergunto: " Como pode um começo doce ter um fim amargo?" Ora! É tão óbvio... é natural que as coisas assim sejam, mas então por que eu não consigo ver assim? Entender o inaceitável é difícil. 


Quando me dei conta do fim a primeira coisa que fiz foi me livrar da nossa primeira lembrança. Fui até o armário, peguei a caixinha de costura onde costumávamos guardar as tesouras e  cortei a fita que ela me deu no nosso primeiro encontro. Tirei do pulso e deixei ali no quarto de forma visível, pra ferir, pra magoar, mas também na primeira tentativa de me livrar um pouco dela.

Esperei sua reação, ela parecia sofrida e depois eu vi ódio em seus olhos. No mesmo instante ela arrebentou a fita que eu dei a ela e depois chorou. Pensei: " Que ridículo nós duas... É só uma fita", mas ao vê-la chorar eu entendi que era muito mais que isso. Éramos nós duas começando a nos despir uma da outra e desse dia em diante não paramos mais.

Confesso que ainda tempos depois, senti frio, muito frio ao lembrar vez ou outra de como era estar vestida dela. Hoje já completamente nua dela, me aqueço vestindo outras pessoas.


Elas se tornaram a extensão de mim mesma, um outro lado, um outro ponto de vista, são os caminhos que não segui, são as decisões que nunca tomei e metade das realizações que eu nunca quis. E por isso, exatamente por isso, somos felizes.

Quando penso em amor é nisso que penso, as duas me vem automaticamente na cabeça. Mãe é mãe, pai, irmão, família... Mas com as relações de hoje tão dinâmicas e rasas duas pessoas que não tem nenhum vínculo familiar com você te amarem de graça... Eu tenho sorte de tê-las sempre comigo e nenhuma mulher nessa vida vai me fazer sentir mais amada do que elas duas.

Não acredito no amor conjugal, de todas as mulheres que passaram pela minha vida, com certeza as que me ensinaram qualquer coisa sobre o amor foram elas, hora me ouvindo bêbada falar sandices ditas pelo telefone diretamente de outro estado, hora entrando em intensas conversas sobre a minha dificuldade de somente transar sem qualquer apego numa espécie de “ puxão de orelha” ( e isso continua).



Outro dia enquanto riamos provavelmente de alguma besteira no bar, olhei pra elas e me senti feliz, completa. Três tipos de pessoas diferentes com um sentimento em comum: O amor por essa nossa amizade.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aquela tal covardia.

Quando a conheci eu sempre soube, desde o primeiro instante, que eu deveria ficar longe. Ela sempre abalou minhas convicções, como se só sua presença já fosse argumento suficiente para derrubar todas as minhas teses. Eu sabia que ela era mais uma daquelas coisas inevitáveis, mas ainda sim eu tentei evitar.

Ela sempre fazia questão de parecer firme, convicta nas suas opiniões, mas a mim tudo que ela dizia com certa frieza me parecia mentira, daquelas da pior espécie, aquela em que mentimos pra nós mesmos. Assim como eu, ela mentia pra si e amei isso nela desde o princípio, porque pela primeira vez não me sentia só. Mas às vezes chega uma hora que cansa, aquilo vai se tornando trivial demais pra você levar adiante e trivial ela nunca foi ou talvez tivesse sido quase que o tempo inteiro e eu é que não tenha notado, não sei.

Não sei se me apaixonei por ela ou se ao me ver refletida acabei me apaixonando pelo meu próprio reflexo. Não me surpreenderia, pouca gente sabe pois não deixo transparecer, mas meu ego é bem maior do que costuma parecer.

Eu amei cada mentira bem contada, o “gênero do não gênero”, a inconstância vinda da inquietude de tantas incertezas. Ah! As incertezas... Ela era cheia delas e tão cheia que foi a garota mais humana que já conheci.

Honesta até demais, aliás honestidade às vezes deveria ser proibida, porque dói. Amei cada tentativa dela de fugir de mim, me poupava. E amei também cada volta em forma de confissão porque no fundo, embora ela negasse, havia um afeto em relação a mim com o qual ela não sabia lidar muito bem, mas ela também tentou, não nego. Acontece que era tudo intenso demais pra ela carregar, ou ela queria que parecesse que não podia e por que? Talvez por medo, insegurança, ou até mesmo por desconhecer que é capaz de suportar sim.

 
 Com ela era sempre como se eu estivesse em uma corda bamba entre dois mundos: o meu e o dela que se confundiam tanto, mais tanto que me apavorava a ideia de cair no desconhecido. E agora? Que lado é o meu? Que lado é o dela? E isso me dava uma compreensão dos medos dela, eu até podia vê-la na outra ponta dessa mesma corda, tentando não cair, andando na minha direção até que nos encontremos, mas quando? É tão longe, tão arriscado... Decidimos parar e depois de forma definitiva cada uma voltou pra sua respectiva base segura, terra firme.

Agora pensando bem a amei em segredo porque sou tão covarde quanto ela, devo confessar. Tive medo de parecer ridícula, patética, insana. Tudo que eu dizia era sempre o mínimo, era sempre de um jeito que eu fosse, mas que pudesse voltar. A amei de forma covarde sim, mais amei tudo que ela tinha, cada detalhe, cada defeito e seus olhos azuis... Eu nunca disse o quanto amava aqueles olhos azuis, o quanto me pareciam cheios de vida, cheios de sonhos, embora, ela sempre quisesse fazer com que eu pensasse o contrário. Saudade!

Existe saudade do que nunca se teve? Se não existe ela acabou de inventar.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nada.

Eu não quero saber o que você tem a dizer nem antes, nem muito menos depois que transarmos porque simplesmente não me interessa o que você tem a dizer e sinceramente não me interessa o depois. Então foda-se o meu “eu” vazio e superficial, não quero ouvir da sua vida, não quero falar da minha....

Me pague uma bebida e se quiser me levar pra casa, leve! Mas saiba que de mim já levaram tudo, saiba que de mim não restou nada. Então leve esse corpo, morada das minhas dores, antiga residência da minha alma e não espere resgatar nada de mim. Não há nada aqui que possa ser resgatado.