sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Carta ao Noel

Querido Papai Noel,

Gostaria de fazer um pedido de natal. Nunca escrevi uma carta para o senhor de livre e espontânea vontade como está, a não ser aquelas cartas idiotas que as professoras te pressionam a fazer só para seguir o cronograma escolar e mostrar aos pais a criança feliz e fofa que você é.

Sempre contei com seu bom senso na hora dos presentes, nem sempre você o teve, mas também não houve traumas. Depois de um tempo passei alguns natais mais interessada em bolar um plano infalível pra pegar o senhor enquanto deixava os presentes. Contando com a ajuda de primos inúteis, nunca consegui. Até o dia que o senhor resolveu aparecer por livre e espontânea vontade, achei estranho então decidi averiguar. Como já suspeitava era só um dos meus familiares bêbados com uma roupa vermelha e uma barba feita de algodão, coisas patéticas que os adultos fazem achando que estão enchendo de mágica o natal das crianças, quando na verdade estão só destruindo um sonho. Nunca disse aos meus pais que sabia que aquele não era o “ papai Noel”, tive maturidade suficiente pra perceber que isso os magoaria.

Enfim, não estou escrevendo pra contar minha trajetória natalina, mas é que finalmente em anos eu tenho um desejo. Gostaria de perder essa capacidade incontrolável que adquiri nos últimos tempos de ser uma cretina. Eu sei que para isso eu teria que ter sido uma “ boa menina”, mas desse clichê eu só poderia dizer que fui uma menina, otária, babaca, fodia e incrivelmente cretina. Eu poderia mentir e dizer que fui uma boa menina e eu aposto que o senhor acreditaria já que a mentira faz parte do “kombo” cretino do meu ser, mas não faria sentido diante do pedido que fiz, por isso não poupei palavras, embora, meu vocabulário esteja um tanto inapropriado, julgando que estou falando com “Papai Noel”, que seja.

Eu gostaria muito de deixar de estragar tudo o tempo todo e ser alguém um pouco mais normal, um pouco menos bêbada, um pouco mais presente, um pouco menos fodidamente egoísta. Ás vezes acho que eu era mais adulta quando tinha cinco anos...


Bom, e se não for possível deixar de ser uma cretina, ao menos me traga uma bebida descente, uma garrafa de Black Label, ou uma Vodka Russa bem forte que me faça esquecer das prováveis cretinices que irei cometer daqui por diante.

Att

Nina Bria.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Adeus.

Naquele momento eu quis abraçar o meu pai, depois de tanto tempo, em anos eu quis que ele não sofresse. Nossas diferenças, faltas e brigas não tinham mais a menor importância. A dor que sentíamos naquele momento nos uniu, era muito maior do que nosso passado perdido.

Em meio ao meu caos, toda aquela gente que não via a muito tempo. A dona Maria que ficava brava e gritava sempre que jogávamos bola no portão dela. Às vezes a gente bicava a bola de proposito, só pra amassar, pra fazer barulho. A dona Deisy que sempre me chamava pra um café a tarde, com biscoito e Nescau. Ela dizia: “Essa menina é um doce” e eu gostava, ficava toda boba. Estava lá também, a Jurema, vizinha do lado que me chamava de “ Carola” e me levava pra ver filme no telão da casa dela, onde ela tinha um projetor e uma tela parecida com as do cinema de verdade. Naqueles momentos, enquanto ela me explicava como fazia pra ligar e projetar as imagens, é que eu soube que eu queria fazer aquilo, cinema. E estava lá também a Zilda, uma espécie de segunda vó a quem eu e minha vó sempre íamos visitar quando eu ficava por lá.

Me senti criança, uma menininha naquele momento, no meio daquele salão, daqueles abraços antigos enquanto eu chorava. Enquanto a levavam, eu tentava pensar que não seria pra sempre, mas era e isso me doía absurdamente. Saber que ela não estaria mais lá, naquela casa que virou ela, sentada no mesmo pedacinho de sofá sempre, fazendo piada de tudo, saber que não teríamos mais aquela mesma carne assada de sempre aos domingos e o bolo de cenoura pro café ( o melhor do mundo).

No momento derradeiro, o último, foi me dando um desespero, eu queria gritar: “tirem ela dai!” enlouquecida, mas não saia a voz. Então eu fiquei ali paralisada, como se alguém estivesse rasgando o meu peito com meu consentimento, sem maiores reações.

Na volta eu pensei na dor, em todas que eu já tive e era tudo tão pequeno perto disso, eu não sabia o que era dor. Me senti tão ridícula e por isso doía mais. Eu queria um anestésico, o mais forte que tivesse, queria dormir por um mês, ou talvez por um ano, mas isso tudo é só o começo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Solidão, que nada!

Qual o problema das pessoas com a solidão? Não entendo quando dizem: “Cuidado, você vai ficar sozinha!”. E se eu quiser ficar? Quem foi que começou com essa ideia de quem está sozinho, não está feliz? Eu sou do pensamento que, antes só do que mal acompanhada.

As pessoas esquecem que se tem solidão ruim, acho que é aquela que é a dois, ou a três, ou pior, solidão em meio a multidão. Pensando nisso e nos relacionamentos anteriores, nos relacionamentos de amigos, familiares e até mesmo de desconhecidos bêbados que se abrem pra mim em uma noite, me senti feliz de estar comigo mesma. Sim, descobri que a mulher ideal pra mim, sou eu. Comecei uma linha de raciocínio ...

Eu me acho atraente e suficientemente inteligente pra me amar, eu faço o café no ponto, gosto do meu bom gosto musical, cultural e artístico. Falo e faço coisas estúpidas, mas em horas aceitáveis. Eu sei o meu meu próprio “time” . Eu confio em mim, e sei como lidar com esse meu jeito excêntrico, até acho charmoso. Converso comigo mesma e concordamos em tudo, quando não estou afim, não nos falamos. Sem discussão de relação, sem reclamações e o sexo é ótimo, porque sempre me achei boa de cama. Sei meus pontos fracos e quando enjoo, minha mente aberta me permitiria outra mulher, numa espécie de Ménage à trois, entre eu, eu mesma e a primeira puta que me interessar.

Sem grandes preocupações, afinal de contas, eu sou fiel, aliás e por que eu não seria? Eu sou ótima! Não sou?! Eu sei tudo de que sou capaz, sem surpresas, sem grandes emoções, sem graça, sem vida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Piaf

Depois do pouco que dormi hoje, já com o dia claro, eu ouço Piaf enquanto assisto a desgraça da minha vida. Não sei ao certo porque, mas ouvir Piaf nesses momentos é como um anestesíco, eu tenho consciência do pior enquanto danço entorpecida pela música. Acho que no fundo eu penso: “ se é pra sofrer, então que seja em grande estilo.” Nada comigo é pouco e se for, eu faço grande, dou meu jeito.

domingo, 20 de novembro de 2011

Enquanto ela dormia.

Enquanto ela dormia, eu lembrava de todas aquelas coisas malucas dela, coisa de velho, ela dizia. Ela sempre foi do tipo de pessoa que me atrai, que me interessa, nunca foi muito normal.

Sabe, sempre que eu chego lá, ela nunca me oferece um café, ou um copo de água, ela sempre diz: “ come uma bananinha, Nina.” Desde que me entendo por gente, sempre que vou lá é assim. Ela até separa umas pra eu levar pra casa depois, nunca entendi, nem muito menos perguntei por que, eu só fazia e depois de um tempo até ficava esperando por isso. Não pelas bananas em si, mas pelo som da voz dela já fraquinha dizendo: “ Leva essas aqui, ó!” Em anos ela nunca mudou de fruta, sempre bananas. Talvez ela ache que são minhas favoritas e eu nunca diria o contrário.

Nos almoços de domingo, sempre aquela carne assada, que embora repetida religiosamente, somente aos domingos é a melhor que já comi, assim como o bolo de cenoura na hora do lanche que sempre foi respeitada, mesmo depois que eu já nem saia mais de casa pra correr que nem um moleque de rua na porta, enquanto ela gritava horrores meu nome todo quando ficava brava comigo: “ Ana Carolina! Ana Carolina! Vem lanchar garota!” E quando eu chegava bem pertinho ela resmungava: “ Toda suja, parece um moleque. Vai já lavar essas mãos!”

São tantas coisas pra lembrar... Enquanto ela dormia era só essa saudade imensa que eu sentia. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Simples assim.

A primeira vez que a vi, acho que foi aquele sorriso que me chamou atenção, o jeito como ela aperta os olhos ... Parece que eles tão sorrindo juntos, é lindo, algo difícil de descrever.

Depois acho que foi a coragem por ela ter ido adiante mesmo sabendo o quão ruim eu quero ser, o quão sem emoções ...Eu fiz e falei, mas ela continuou ali sorrindo, achando tudo aquilo absolutamente normal, compreensível e então eu me vi invertida.

Como se não bastasse não me cobrar, não ter medo de mim, não me achar a criatura mais detestável do mundo, só mais uma bêbada fodida na tentativa desesperada de foder as pessoas por puro egoísmo, só pra não se sentir sozinha nessa magoa, como se não bastasse não me olhar desse jeito, ela deita ao meu lado e entre beijos, me diz que quer tomar uma cerveja. Sempre que dá então, tomamos uma cerveja junto e eu fico lá admirada enquanto ela fala, bebe, sorri e tenta derrubar minhas teorias zombando de mim, me fazendo parecer boba. De repente eu fico pensando, me sentindo sortuda, afinal de contas eu nunca conheci uma garota que pudesse transar e beber comigo, como se essas duas coisas não pudessem estar contidas em uma só pessoa, nunca entendi muito bem, enfim...

Enquanto as outras tentam me mudar ou moldar, ela não, e só tenta derrubar minhas teorias por pura implicância, porque sente prazer em me desmontar, em me ver sem argumentos suficientes. E eu que tinha me trancado, e eu que era triste, hoje acho graça quando me pego em mercados provando pra ela que eu sei diferenciar sim, o brócolis da couve -flor. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A moça.

Parecer forte é fácil, realmente ser é pra poucos. Em tempos difíceis, eu tento pelo menos e faço isso enquanto encho a cara pra afogar minhas magoas, reclamar da vida... Que piada né?!

Pior que isso é, as pessoas não perceberem que você está gritando socorro a cada cinco minutos que diz não precisar de ninguém. Mas que saber? Foda-se!

Me acostumei a viver sem dividir, sem me importar. Minha expressão mudou, meus gestos, o discurso... Mas será? Então um dia apareceu aquela moça, sorriso largo, mas olhos tristes. Ela olhava tudo de baixo pra cima e a cada sorriso um apelo, mas nem ela sabe.

Eu quis saber e me assustei, dei um passo a frente em direção a ela e em seguida me acovardei. Achei melhor manchar minha boca com outro batom, um que não me oferecesse perigo, um que não me interessasse ... Não adiantou! Quando ela olhou finalmente direto nos meus olhos, olhou por dentro e eu sabia que ela tinha visto quase tudo pulsando, ela notou que tinha vida. Teimei em repetir que estava morta em uma tentativa desesperada de proteção, mas do que? Ela ouvia com atenção e ás vezes achava graça, acho que da minha estupidez, provavelmente.

Fui pra casa e a moça comigo, me perturbando a ponto de me fazer criar pequenos diálogos comigo mesma onde meu “eu” racional dizia: É só mais uma garota, que drama! Acontece que não era! Ela me beijou e eu fiquei apavorada, quis abraça-la. Então recomeçava o dialogo, dessa vez intenso :

- Sai daí agora!
- Mas eu não quero ...
- Depois não reclama!

Depois disso, acordei ao lado dela. Eu a ouço com atenção e a desejo intensamente, enquanto ela brinca de me provocar como se estivesse testando estímulos, reações. Enfim me vi com medo de estar sem medo, porque a moça de repente  veio e ficou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Noite Barata.

Eu me lembro que olhei o relógio e já eram cinco da manhã. Na saída do bar, o submundo entre ainda a escuridão da noite e as luzes da cidade.

Peguei um cigarro com um boliviano que estava parado ali na porta, conversamos sobre a economia com propriedade, como se dois bêbados fodidos como nós pudessem mudar alguma coisa, mas é que às vezes o álcool nos da umas certezas tão insanas, que talvez elas sejam mesmo as melhores soluções, enfim ...

Com o amanhecer, aquela vontade de me esconder do mundo, de não viver durante o dia. Fui pra casa como sempre, fedendo a álcool. Não mais que ontem,também não menos,o que faz de mim ridiculamente uma fraude quando digo que detesto rotinas, mas vivo as minhas. Por exemplo, chegar em casa fedendo a álcool todo dia... Que palhaça!

Antes de chegar em casa, numa esquina dessas mais fodidas que eu, conheci Capitu. Eu pedi a ela um cigarro e conversamos um pouco. Quando ela me disse: “Sou Capitu.” Eu falei: “ Como a de Machado...” Ela não entendeu e eu achei graça.

Tão linda... Mas tão burra. Tinha olhos curiosos, bem negros e às vezes eram assustados, pude notar durante a conversa. Tinha uma boca pequena, bem delicadinha e um cabelo comprido, da cor dos olhos, que contrastava com a pele bem branca que ela tinha.

Enquanto ela falava todas aquelas besteiras vulgares nas quais eu não conseguia prestar atenção, foi me dando um tesão só de olhar pra ela, feito coisa animal, sabe? Instinto! Puro instinto!

Fomos pro motel mais barato que encontrei, fazia parte do pacote. Se não fosse motel barato não tinha graça, daqueles cheios de néon e baratas. Bebi mais, bebi tudo, bebi ela, em meio aquela rotina do ser pateticamente fodida todos os dias.



Ódio

Eu tenho raiva sim, eu guardo rancor, eu cultivo o ódio. Não sejamos hipócritas! Até quando? Não sei ... Há tanto o que odiar, a ela , as circunstâncias, os fatos, a mim. Sim, principalmente a mim por ter deixado tudo isso chegar onde chegou, essa mania insuportável de deixar tudo chegar ao seu limite.

Me odeio por não ter percebido, ou não ter querido perceber, me odeio por me deixar e me odeio por ainda odiar. Odeio mesmo, com todas as minhas forças.

Mas quando esse ódio passar... Eu não sei, o que eu vou fazer quando ele passar? De repente quando pensei nisso percebi que sem esse ódio, acho que me sinto vazia. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aquele pedido.

Hoje mais cedo, sai pra tomar café com o Caio. Ele acabara de voltar de viagem, foi pra Bahia e me trouxe de lá uma daquelas fitinhas do senhor do Bonfim, sabe? Conversamos um pouco e em seguida ele pegou as fitinhas, estendeu os braços segurando-as e disse:

- Vem Ni. ( Só ele me chamava assim). - Vem! Vamos fazer nossos pedidos!

Enquanto ele amarrava uma das fitas no meu braço, ia me pedindo que fizesse os tais pedidos. Pensei na hora: “ Que besteira!”, mas em seguida eu podia ver em seus olhos, quanta esperança ...Então sorri surpreendentemente de admiração a crença dele.

Resolvi guardar pra mim as minhas considerações. Sabe, às vezes, muito raramente me apiedo e deixo de destruir crendices populares em certas situações.

Fui pra casa pensando naquilo, durante o caminho eu olhava pra fita e me lembrei que eu já tive uma dessas em outra ocasião. Lembrei também que todos os pedidos que fiz, foram acontecendo, só que todos ao contrário e desde então via aquela fitinha como uma espécie de maldição. Depois disso eu ri da minha estupidez e em seguida com os olhos úmidos, senti saudade de ser uma pessoa mais crente. Os ignorantes realmente são mais felizes. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Não faz sentido.

Quando ela foi embora achei que era melhor mesmo, qualquer coisa era melhor do que chegar em casa e encontrar sempre tudo tão igual. Isso é de foder o juízo, sabe? De repente até jantar era incomodo, ela fazia aquele barulho nojento e eu pensava: “Quando foi que ela começou a comer assim?”

De repente você se da conta de que talvez ela sempre tenha feito aquele barulho, mas que você estava bitolada demais pra reparar. É assustador! Me perguntei então: O que mais eu não reparei?

Fui ficando frívola, numa tentativa desesperada de escapar daquilo tudo, já ela sempre foi. Me perguntei nesse momento: O que eu estaria fazendo ali? 


Mais frívola que nós duas juntas, era aquela situação que se tornara sem sentido.Quando o sentido se perde ou quando perdemos o sentido, o que resta? Não tínhamos mais um motivo. Definitivamente, quando ela foi embora, achei melhor mesmo. Agora entre um “bom dia” e outro, nada é igual a como era antes. Será?

sábado, 1 de outubro de 2011

Tarde demais.

Quantas vezes eu quis dormir e só dormir. Você soube? Algum dia você realmente se importou? Você fodeu com a minha vida, haja como tal. Você não tem o direito de reaparecer nela, consertar as coisas e tirar de mim o único sentimento que me restou, o ódio. Tarde de mais pra um perdão, tarde demais pra mudar as coisas, tarde demais pra corrigir seus erros. Hoje é isso que eu sou e não há nada que você possa fazer, eu não quero seu arrependimento, nem muito menos as desculpas, eu não quero mais nada que venha de você.

Essa hoje sou eu velando a morte de cada antigo pedaço meu. Essa hoje sou eu dirigindo bêbada esse carro desgovernado da vida, sendo a garota má que você foi pra mim, pisando em flores, destruído lares, partindo corações, arruinando o resto dessa droga de vida preta e branca que você deixou pra mim. 

Me faz um favor então? Continue sendo a “vaca” que me sacaneou, no fundo é isso que você é, e isso que sempre vai ser, independente de quantos anos se passe, independente do quanto eu ou você amemos outras pessoas, isso não tem nada a ver com amor, independente do quanto foderemos com outras pessoas...


Você gosta de me ver sangrar e eu gosto de te culpar, de te usar como desculpa de tudo até pra minha falta de caráter. Vamos estar sempre ligadas mesmo contra a nossa vontade, porque você vai continuar sendo a “vaca” que arruinou a minha vida e eu vou continuar sendo aquela que encheu teu ego.

Eu tinha um nó na garganta que era só um simples “ vai se foder” preso, vim gritando isso bêbada pela rua. Me sinto bem melhor agora.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não me peça.

Eu peco pelo exagero, eu erro com excessos, eu acerto com um sorriso, eu me redimo com um abraço, essa sou eu e não me julgue pelo que faço. Tudo tem um sentido, embora nada pareça ter, o que a mim parece certo, pode ser sujo pra você. 

Eu não sou de meias palavras. Já fui, hoje não há nada que eu sufoque em mim, nem mesmo esse meu desejo de liberdade absoluta, tão incompreendido em sua maior parte pelos que mais amo. 

Sou tão humanamente normal, por que esperar tanto de mim? Quanto tempo temos? Não sei! E é justamente por não saber que eu peco pelo exagero e erro com os excessos, aprendo com a vida. 

Não me peça pra desistir de viver meu erros, por que não?Não me impeça de cumprir com o meu destino seja ele qual for, um romance ruim, uma vida sem juízo, pensamentos absurdos, ideias que não fazem o menor sentido. Nada é absoluto ou infinito, a vida é muito relativa... Essas são as minhas considerações e há quem concorde, e há quem discorde, ai que tá graça. 

Não me faça escolher, porque eu nunca pedi que entendessem. Não me peça tudo quando pra você o que tenho a oferecer é nada.

domingo, 25 de setembro de 2011

O que será?

Existem pessoas que são condicionadas, eu não ou pelo menos tento não ser. Saber o que vai acontecer? Pra que? Por quê? Dou-me ao luxo de escolher meu próprio caminho, de fazer minhas próprias escolhas. É preciso ser livre para viver, se não se é não tem sentido, não tem por que. Não vou beber minhas ideias e guarda-las oprimidas no meu ser, eu não preciso disso. Vou até a o fim por meus ideais, por tudo que acredito, ou sou livre ou não sou nada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lembranças de um despertar.

Um dia acordei pela manhã e lá estava ela ao meu lado me sorrindo. Achei tão bonita aquela cena ao acordar, ela entre os lençóis da minha cama, mas tão bonita que eu a quis mais vezes, naquela mesma cena repetidamente como se fosse minha cena favorita de um filme. Achei curioso...

Passaram-se três semanas e aquele despertar ainda me parecia tão bonito quando o primeiro, até mais pra falar a verdade como se cada dia ele fosse diferente em algum pequeno detalhe que eu não sabia ao certo qual era, mas havia um. Ela me trazia o café depois do meu banho matinal e eu ia trabalhar com aquela manhã na cabeça.

Um dia eu acordei e ela me olhava. Perguntei:

- O que houve?
- Fazem três semanas que estamos juntas.
- Já? três semanas? Nossa, nem havia me dado conta.

E não mesmo, mas eu sabia que o fato dela lembrar já queria dizer alguma coisa que eu não entendia muito bem ( às vezes me faltam pensamentos femininos). E acho graça de lembrar que o primeiro pensamento que me veio em mente foi: " Nossa! Mas já três semanas?". Hoje obviamente eu pensaria o contrário. Mas quando se é jovem é assim mesmo, se tem essa ideia intensificada do mundo, da vida, das coisas. 

Depois disso já estávamos morando juntas. Todo dia as seis da manhã ela me acordava pra ir trabalhar, o beijo tinha gosto de café e eu ficava sempre mais cinco ou dez minutos na cama. Ela dizia: " Anda amor, vai se atrasar!". Achava atencioso da parte dela se preocupar.

Três meses se passaram e o beijo com gosto de café já não parecia o mesmo, a cena dela entre os lençóis já não era mais tão bonita. Ela se irritava com meus atrasos e eu com os gritos dela. Quem grita as seis da manha? (Pelo amor de Deus!). Passei a me atrasar mais só com a finalidade de irrita-la tanto quando ela me irritava ali jogada nos meus lençóis, me ditando regras como se eu estivesse transando com uma combinação de Hitler com Mussolini e por que não citar também Salazar?!

De repente ela já não trazia mais café e eu voltei a frequentar a padaria da esquina. Mas isso não resolvia nada, o abismo entre nós era constantemente maior do que o do dia anterior e assim sucessivamente. Foi quando então ela decidiu partir. Não sei se fiquei triste, mas também não fiquei alegre, era só aquele vazio da casa como se sempre tivéssemos sido eu e ela, mas não era. Achava graça de sentir falta dela me chutando da cama e no primeiro dia eu até a procurei numa espécie de delírio sonolento, depois me lembrei que ela não estaria mais e assim eu continuei vivendo até que ela deixou de ser uma falta pra virar uma lembrança externa mentirosa do que eu não quero mais e uma lembrança interna saudosa do que no fundo um dia eu talvez ainda possa querer. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vida que segue.

É assim mesmo, tudo que tem início tem um fim. Quando finalmente entendi isso, minha dor já não era mais dor, a vingança e o orgulho ferido já não faziam mais sentido. Era como se eu estivesse vazia de sentimentos por ela, não sentia nada, ela já não me afetava, já não me provocava. Assustei-me e reli o livro da minha vida, eu não fazia ideia do que andava escrevendo nela ultimamente e foi como despertar de um sonho ou de um pesadelo, não sei. 


Li coisas das quais não gostei e me dei conta de certo sentimento que alguém me despertara. Eu sempre sobre soube dele, mas sempre calculei também tudo que eu dizia, tudo que eu fazia. Com isso a verdade é que eu acabei dizendo tudo errado, fazendo tudo errado, mas e agora? O tempo não para... Ele não volta, não dá pra rebobinar nossa vida como se ela fosse um filme. Arrependo-me de algumas coisas e o resto julguei necessário. Penso no que vou fazer daqui pra frente, porque a vida, essa sempre continua.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Algo além da compreensão.

Não fale de mim ou das minhas dores com tanto conhecimento de causa, as coisas nunca são iguais nos seus detalhes, então não me banalize! Isso eu não consigo suportar, porque eu sou os meus medos, eu sou minhas dores tanto quanto minha alegria, meu contentamento. Não questione, não reclame e se achar tudo isso loucura vá embora! Vá buscar o que você quer, não tente inventar nada em mim.

E não adianta querer-me no seu mundo, na sua vida desesperadamente. Não adianta Beber-me, alimentar-se de mim como um vampiro emocional. Nada disso vai me trazer pra perto...

O amor pode ser tudo, todas essas besteiras nas quais me recuso a acreditar, tudo! Menos possuir o outro.

sábado, 17 de setembro de 2011

Nua.


Entre as minhas lembranças, vez ou outra me pergunto: " Como pode um começo doce ter um fim amargo?" Ora! É tão óbvio... é natural que as coisas assim sejam, mas então por que eu não consigo ver assim? Entender o inaceitável é difícil. 


Quando me dei conta do fim a primeira coisa que fiz foi me livrar da nossa primeira lembrança. Fui até o armário, peguei a caixinha de costura onde costumávamos guardar as tesouras e  cortei a fita que ela me deu no nosso primeiro encontro. Tirei do pulso e deixei ali no quarto de forma visível, pra ferir, pra magoar, mas também na primeira tentativa de me livrar um pouco dela.

Esperei sua reação, ela parecia sofrida e depois eu vi ódio em seus olhos. No mesmo instante ela arrebentou a fita que eu dei a ela e depois chorou. Pensei: " Que ridículo nós duas... É só uma fita", mas ao vê-la chorar eu entendi que era muito mais que isso. Éramos nós duas começando a nos despir uma da outra e desse dia em diante não paramos mais.

Confesso que ainda tempos depois, senti frio, muito frio ao lembrar vez ou outra de como era estar vestida dela. Hoje já completamente nua dela, me aqueço vestindo outras pessoas.


Elas se tornaram a extensão de mim mesma, um outro lado, um outro ponto de vista, são os caminhos que não segui, são as decisões que nunca tomei e metade das realizações que eu nunca quis. E por isso, exatamente por isso, somos felizes.

Quando penso em amor é nisso que penso, as duas me vem automaticamente na cabeça. Mãe é mãe, pai, irmão, família... Mas com as relações de hoje tão dinâmicas e rasas duas pessoas que não tem nenhum vínculo familiar com você te amarem de graça... Eu tenho sorte de tê-las sempre comigo e nenhuma mulher nessa vida vai me fazer sentir mais amada do que elas duas.

Não acredito no amor conjugal, de todas as mulheres que passaram pela minha vida, com certeza as que me ensinaram qualquer coisa sobre o amor foram elas, hora me ouvindo bêbada falar sandices ditas pelo telefone diretamente de outro estado, hora entrando em intensas conversas sobre a minha dificuldade de somente transar sem qualquer apego numa espécie de “ puxão de orelha” ( e isso continua).



Outro dia enquanto riamos provavelmente de alguma besteira no bar, olhei pra elas e me senti feliz, completa. Três tipos de pessoas diferentes com um sentimento em comum: O amor por essa nossa amizade.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Aquela tal covardia.

Quando a conheci eu sempre soube, desde o primeiro instante, que eu deveria ficar longe. Ela sempre abalou minhas convicções, como se só sua presença já fosse argumento suficiente para derrubar todas as minhas teses. Eu sabia que ela era mais uma daquelas coisas inevitáveis, mas ainda sim eu tentei evitar.

Ela sempre fazia questão de parecer firme, convicta nas suas opiniões, mas a mim tudo que ela dizia com certa frieza me parecia mentira, daquelas da pior espécie, aquela em que mentimos pra nós mesmos. Assim como eu, ela mentia pra si e amei isso nela desde o princípio, porque pela primeira vez não me sentia só. Mas às vezes chega uma hora que cansa, aquilo vai se tornando trivial demais pra você levar adiante e trivial ela nunca foi ou talvez tivesse sido quase que o tempo inteiro e eu é que não tenha notado, não sei.

Não sei se me apaixonei por ela ou se ao me ver refletida acabei me apaixonando pelo meu próprio reflexo. Não me surpreenderia, pouca gente sabe pois não deixo transparecer, mas meu ego é bem maior do que costuma parecer.

Eu amei cada mentira bem contada, o “gênero do não gênero”, a inconstância vinda da inquietude de tantas incertezas. Ah! As incertezas... Ela era cheia delas e tão cheia que foi a garota mais humana que já conheci.

Honesta até demais, aliás honestidade às vezes deveria ser proibida, porque dói. Amei cada tentativa dela de fugir de mim, me poupava. E amei também cada volta em forma de confissão porque no fundo, embora ela negasse, havia um afeto em relação a mim com o qual ela não sabia lidar muito bem, mas ela também tentou, não nego. Acontece que era tudo intenso demais pra ela carregar, ou ela queria que parecesse que não podia e por que? Talvez por medo, insegurança, ou até mesmo por desconhecer que é capaz de suportar sim.

 
 Com ela era sempre como se eu estivesse em uma corda bamba entre dois mundos: o meu e o dela que se confundiam tanto, mais tanto que me apavorava a ideia de cair no desconhecido. E agora? Que lado é o meu? Que lado é o dela? E isso me dava uma compreensão dos medos dela, eu até podia vê-la na outra ponta dessa mesma corda, tentando não cair, andando na minha direção até que nos encontremos, mas quando? É tão longe, tão arriscado... Decidimos parar e depois de forma definitiva cada uma voltou pra sua respectiva base segura, terra firme.

Agora pensando bem a amei em segredo porque sou tão covarde quanto ela, devo confessar. Tive medo de parecer ridícula, patética, insana. Tudo que eu dizia era sempre o mínimo, era sempre de um jeito que eu fosse, mas que pudesse voltar. A amei de forma covarde sim, mais amei tudo que ela tinha, cada detalhe, cada defeito e seus olhos azuis... Eu nunca disse o quanto amava aqueles olhos azuis, o quanto me pareciam cheios de vida, cheios de sonhos, embora, ela sempre quisesse fazer com que eu pensasse o contrário. Saudade!

Existe saudade do que nunca se teve? Se não existe ela acabou de inventar.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nada.

Eu não quero saber o que você tem a dizer nem antes, nem muito menos depois que transarmos porque simplesmente não me interessa o que você tem a dizer e sinceramente não me interessa o depois. Então foda-se o meu “eu” vazio e superficial, não quero ouvir da sua vida, não quero falar da minha....

Me pague uma bebida e se quiser me levar pra casa, leve! Mas saiba que de mim já levaram tudo, saiba que de mim não restou nada. Então leve esse corpo, morada das minhas dores, antiga residência da minha alma e não espere resgatar nada de mim. Não há nada aqui que possa ser resgatado.

domingo, 28 de agosto de 2011

Medo.

Tenho medo e não sei se todo mundo sabe tão bem quanto ela, ninguém nunca me conheceu tão bem.

Ela perguntou:

- Está com medo?

Eu respondi:

- Apavorada.

Metade dos medos do mundo estão contidos em seus olhos e a outra metade nos meus. Isso nos torna iguais? Porque às vezes estar diante dela é como encarar um espelho. É possível nos reconhecermos em outra pessoa? É assustador... Como se ela fosse a única capaz de entender meus detalhes, as reentrâncias.

Penso em quanto vai me custar esse sentimento, afinal que chance nós realmente temos? E alguém me respondeu:

- Como é que poderiam saber?

E eu pensei:tenho medo de estar tendo coragem.

Imperfeito.

Então... Eu não posso falar dos meus sentimentos. É como se eu sufocasse tudo aqui dentro em algum lugar, como quem guarda todo o entulho em uma mala, tudo que não serve até ela quase nem fechar e esquecermos em algum canto julgando não precisar mais. Foi isso que fiz com meus sentimentos, julguei que não precisava mais e assim fui vivendo sem eles. Mas quer saber? Acho que talvez por de trás dessa casca de pessoa bem resolvida,desapegada e tudo mais, tenha uma menina insegura, com medo, medo de passar tudo aquilo tão dolorido novamente, a vergonha, a humilhação, a incapacidade... Eu penso nisso o tempo todo, me fechei na minha dor como se quisesse segura-lá pra sempre e lembrar de não repetir o mesmo erro em uma espécie de punição.

Então entra ela, que sem saber e sem querer me faz esquecer de tudo isso e me faz sentir sem definições ou rótulos, viva. É uma confusão... Por que logo ela? Que é tão descrente quanto eu, tão medrosa ou sensata quanto. Não posso querer, mas quero e finjo que não como quem senta naquela mala de entulhos querendo sair.

Uma vez uma menina a quem magoei de certa forma, disse em um surto de fúria: você é uma fraude! Aquilo mexeu comigo, mas eu tratei de esquecer, de não dar importância e agora me veio ela gritando isso em mente e pensei: Devo mesmo ser uma fraude, aliás, acho que nós duas somos porque as vezes parecemos duas ridículas a ignorar o óbvio. Qualquer um percebe, por mais que eu negue, que ao receber um telefonema dela meu semblante muda, o tom de voz e principalmente por mais que eu consiga disfarçar os dois primeiros, não passo pelo terceiro, o sorriso e isso me irrita no instante depois em que ela desliga. Eu odeio sentir isso quando sei que se assumirmos uma posição, ou ela ou eu estragaremos tudo, ou quem sabe até as duas juntas.

Eu não a imagino virando estatística, não a imagino me odiando ou se fazendo odiosa, ela é boa demais pra isso.

Me acovardei diante do medo dela, do meu... E tentei mais uma vez ignorar a “fantasia” de que nossa imperfeição faz de nós um casal perfeito.